Um custo de vida
O assunto “remuneração em Brasília” enseja, invariavelmente, perguntas sobre custo de vida. Uma das teses por trás das reivindicações salariais, aliás, costuma ser justamente essa: é muito caro viver por aqui. Quanto a isso, ressalvas à parte, não há dúvida. O problema é a ordem dos fatores. A renda elevada é necessária devido ao custo de vida alto ou o custo de vida alto é conseqüência da renda elevada? Talvez seja confiar demais em conhecimentos parcos de oferta, demanda, preço de equilíbrio e outros conceitos que costumam me causar dor de cabeça, mas ouso apostar na segunda hipótese. É claro que, quando se trata de dinheiro no bolso, lógica é o último item considerado. Assim, registre-se nos autos: viver em Brasília é caro pra caramba. E enfrentar essa dura realidade armado apenas com a maior renda per capita do país é um ato de heroísmo digno de nota. Cada um dê a sua.
Falar de servidor público - e, especificamente, de sua remuneração - é um risco desnecessário. Para políticos, é mexer num vespeiro lotado de potenciais eleitores; para o cidadão comum, é comentar sobre um possível objetivo de vida, pessoal ou familiar. Um comentário solto no ar, preferencialmente malicioso, ainda passa, mas uma crítica mais corpulenta, e pública, não se recomenda a ninguém. A saravaida de contra-argumentos, nem todos razoáveis, é somente para aqueles de paciência vasta e estômago forte. É, portanto, sem abandonar a deliciosa conveniência da omissão, que reproduzo aqui uma frase, completamente descontextualizada, ouvida por uma amiga, de um representante de categoria de nível intermediário, à luz da recém-encerrada rodada de negociações salariais no âmbito do serviço público federal: “Cinco mil e quinhentos reais mal dão para viver.” E, por hoje, é só.
Às vezes sinto
Na quarta-feira passada, assisti, da primeira fila, coladinho ao palco, a uma apresentação de Paulo Moura e Armandinho. Para conseguir o lugar privilegiado, tive apenas de entrar no carro, descer o Eixo Monumental, estacionar diante da Catedral e caminhar poucos metros até o Conjunto Cultural da República. Lá, ao lado do iglu oficialmente conhecido como Museu
Segunda-feira, 12 de maio de 2008. Depois de breve confabulação, um grupo de colegas de trabalho resolver ir, de carro, almoçar no TST. O veículo é estacionado na rua, a uma linha reta da entrada do prédio, o que não impede um dos comensais de lamentar: “Agora é uma caminhada até lá.” Outro membro da comitiva mostra-se intrigado: entre o ponto em que estão e a entrada, vê-se apenas um estacionamento (de uso restrito) e uma grade verde, certamente interrompida por um portão para o acesso de pedestres. A distância não parece tão… Hein? Pedestres? No sentido de “que ou aquele que anda ou se encontra a pé”? Ah, então, a única opção é contornar toda a grade do estacionamento e entrar com os carros. É assim que a banda toca em Brasília.
Passei boa parte destes 40 dias de sumiço viajando. Imagens transcendentais, sensações supernaturais. Acordar todo dia num lugar diferente. Rodar 3.500 quilômetros num carro verde-claro. Encarar sol e chuva, neve e deserto. Ficar de olhos arregalados diante de paisagens muito looooooooucas… E, de repente, estar de volta ao mundo real. O certo é o seguinte: viajar é uma arte e, como tal, virou até
O Ministério da Fazenda fica no bloco P da Esplanada, certo? Não. Lá fica a sede do Ministério da Fazenda. Os órgãos centrais do ministério ficam é no bloco O da quadra 3 do Setor de Autarquias Sul, certo? Não. Lá ficam os órgãos regionais. O Edifício Órgãos Centrais do ministério fica no SAS, sim, mas na quadra 6. Em qual bloco? No O, claro.
Enquanto toca a carroça, tranqüilo, o motorista observa as indicações das placas: L2… W3… Estados Unidos da América… Como é que é?! Parece besteira, e provavelmente é, mas não consigo deixar de achar a cena inusitada. Quem quer que seja irresponsável pela sinalização da capital não se importou muito em incluir a informação “embaixada” nas placas. Afinal, se o sujeito vê o nome de um país pela frente, já sabe que só pode se referir a uma embaixada, n’est pa? França, embaixada da França; Portugal, embaixada de Portugal; China, embaixada da China. Bem, mil desculpas, mas, comigo, não funciona assim. Na verdade, ao ver as placas, não consigo evitar impressões absurdas, como a de que a Grécia fica ao lado da Turquia.
Aonde um povo que compra
A voz do sujeito no elevador tinha um tom inconfundível de orgulho. “Agora estou na A!BodyTech”, disse ao colega, sem esquecer a exclamação. Nada mais compreensível. Como não se orgulhar dos 6 mil metros quadrados, das 500 vagas de estacionamento, dos 180 funcionários e, principalmente, das 40 bicicletas indoor cycle?
Talvez eu seja tão obcecado pelo trânsito quanto pela meteorologia. Talvez eu simplesmente não saiba ler. Diz o artigo 178 do
Perdoe-me pela volta ao tema insistente, mas é impossível não falar de clima quando Brasília, nos últimos dias, tem sido um extraordinário casamento de viúva. Ontem, numa distraída olhada pela janela do trabalho, quase chorei. O sol ainda intenso caía por trás das nuvens, transformando o céu num espetáculo de tons de azul, laranja e meios-termos de deixar o queixo caído e os lugares, comuns. Hoje, o fim da tarde foi marcado por um espetáculo diferente, de roteiro mais do que manjado: chuva forte, motoristas cautelosos, congestionamentos incompreensíveis. Quem sai na chuva é para se queimar, já dizia Matheus, o Vicente.
Depois não adianta reclamar da fama de cidade sem nada para se fazer. Uma das grandes diversões de Brasília encontra-se desaparecida há alguns meses - e ninguém toma providências. Sumiram as bandeiras que tremulavam no gramado próximo ao Congresso Nacional! Antes, toda passada pelo local era um game show. Faixas horizontais verdes e amarelas com um retângulo azul e uma estrela branca no canto superior esquerdo? Piauí. Duas faixas vermelhas e uma branca com um losango verde no centro e um brasão de armas? Santa Catarina. Agora, o retorno é uma pasmaceira. Com o Carnaval no pretérito e 2008 em
As fantasias do Bope não fizeram sucesso apenas no Carnaval do Rio. Em Brasília, na segunda-feira, o pessoal das operações especiais entrou em cena para enfrentar um inimigo quase tão perigoso quanto os traficantes das favelas cariocas: foliões que se divertiam no bloco Galinho de Brasília. Eu não vi, mas quem viu diz que a porrada comeu, o pau cantou e a jiripoca piou.
Ele nasceu em Shandong, oficialmente em 1932; mudou-se para Hong Kong na juventude; casou-se; e veio para o Rio de Janeiro, em 1968. Passou muito tempo trabalhando em outros lugares, longe da família, para ajudar a criar os dois filhos. Aposentou-se, finalmente, no início de 2006. Porém, depois de uma vida de sacrifícios, resolveu que não receberia retribuição. Na semana passada, partiu.