Eu não tenho TV. Vou repetir: eu não tenho TV. Uma amiga costuma dizer que é por isso que, às vezes, demoro a sair do trabalho. “Você não quer chegar em casa. Você não tem TV!”, explica, num raciocínio tortuoso e equivocado. A verdade verdadeira é que, nestes quase quatro meses, raramente senti falta da máquina de fazer doidos. No tempo que passaria diante da TV, ouço CDs de que nem lembrava mais, traduzo outra obra-prima de Reed ArvinScott Westerfeld, deleito-me com o choro dos adoráveis gêmeos dos vizinhos e, quando a disposição permite, caminho pelas ruas desertas do Sudoeste Econômico.
E penso. Penso nos últimos acontecimentos da República, no futuro sombrio da humanidade, na filosofia parmenídica. Só não penso mais porque a televisão me deixou burro. Muito burro demais.
Jan disse,
Maio 29, 2007 @ 9:48 pm
Por outro lado, você perde boas risadas com aquela espontaneidade que só o apresentador do Rede TV News tem. Após a exibição da matéria sobre um evento anual com ingleses que se lançam ladeira abaixo, rolando pela grama atrás de um queijo (!), vem o comentário dele – dando voz exatamente ao que você, telespectador, está pensando – “Essa é da série Absoluta Falta do que Fazer.”
Andre disse,
Junho 3, 2007 @ 4:58 pm
Eu passei quatro meses morando num apartamento de temporada, com TV. Logo na primeira semana precisei desligar a dita cuja e usar a tomada para outra coisa. Um mês depois eu fui me dar conta de que a TV estava desligada da tomada, e so porque tinha jogo do Flamengo. Cheguei a pensar em procurar um benjamim, mas nem a TV nem o Flamengo valiam o esforco.