Passei o dia à procura de uma forma original de comentar a Marcha das Margaridas, manifestação que reuniu 30 mil pessoas, parou o trânsito e reviveu clichês hoje em Brasília. As frases de efeito que me surgiram à cabeça revelam os caminhos obtusos que percorri. Dia de fúria. Apareceram as margaridas. Cansei. A verdade é que faltou coragem para perpetrar cretinices desse quilate. E para reprisar a lengalenga da colisão de direitos. E para insistir na incompetência das autoridades de trânsito.
Resolvi, então, contar a história da líder sindical de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada em 1983, na porta de casa, diante do marido e dos dois filhos. Movia, à época, como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, 72 ações contra usineiros e fazendeiros, por desrespeito a direitos trabalhistas. O julgamento do acusado de ser mandante do crime levou 18 anos para acontecer. Ninguém foi punido pela morte.
Não sou a favor dos protestos em Brasília. Também não sou contra. Vivo em cima do muro. Aqui não acontecem dias de fúria. Ninguém se cansa. E nunca aparecem margaridas.
André disse,
Agosto 23, 2007 @ 4:15 pm
Margaridas cansadas aparecem em dia de fúria é, pelo menos, uma cretinice combinatória.
André disse,
Agosto 23, 2007 @ 4:16 pm
Talvez fosse melhor Furiosas margaridas aparecem em dia cansativo.
Pequena disse,
Agosto 24, 2007 @ 3:28 am
Existem os dias de fúria, porém, como em tudo nesta cidade, são um pouco diferente do comum…
ddd « Dores Capitais disse,
Maio 28, 2009 @ 10:20 pm
[...] · Arquivado em Uncategorized Devo ser uma das poucas pessoas por aqui que não odeiam as manifestações na Esplanada. Pelo contrário, numa capital tão distante – em mais de um sentido – da [...]