Margaridas

Margarida Maria Alves, 1943-1983Passei o dia à procura de uma forma original de comentar a Marcha das Margaridas, manifestação que reuniu 30 mil pessoas, parou o trânsito e reviveu clichês hoje em Brasília. As frases de efeito que me surgiram à cabeça revelam os caminhos obtusos que percorri. Dia de fúria. Apareceram as margaridas. Cansei. A verdade é que faltou coragem para perpetrar cretinices desse quilate. E para reprisar a lengalenga da colisão de direitos. E para insistir na incompetência das autoridades de trânsito.

Resolvi, então, contar a história da líder sindical de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada em 1983, na porta de casa, diante do marido e dos dois filhos. Movia, à época, como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, 72 ações contra usineiros e fazendeiros, por desrespeito a direitos trabalhistas. O julgamento do acusado de ser mandante do crime levou 18 anos para acontecer. Ninguém foi punido pela morte.

Não sou a favor dos protestos em Brasília. Também não sou contra. Vivo em cima do muro. Aqui não acontecem dias de fúria. Ninguém se cansa. E nunca aparecem margaridas.

4 Respostas até o momento »

  1. 1

    André disse,

    Margaridas cansadas aparecem em dia de fúria é, pelo menos, uma cretinice combinatória.

  2. 2

    André disse,

    Talvez fosse melhor Furiosas margaridas aparecem em dia cansativo.

  3. 3

    Pequena disse,

    Existem os dias de fúria, porém, como em tudo nesta cidade, são um pouco diferente do comum…

  4. 4

    [...] · Arquivado em Uncategorized Devo ser uma das poucas pessoas por aqui que não odeiam as manifestações na Esplanada. Pelo contrário, numa capital tão distante – em mais de um sentido – da [...]


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