Outubro 28, 2007
· Arquivado em Uncategorized
Durante muito tempo, a insegurança me manteve em estado de negação, mas hoje estou certo de que sou um poliglota. Recapitulemos: tenho domínio limitado do espanhol, fraco do alemão, pedestre do chinês e horrendo do francês. Desconheço quem fale mal mais idiomas do que eu. Por isso, ao receber a tarefa de acompanhar jornalistas da Argélia em viagem ao Brasil, não esquentei a cabeça. Bastaria um bonjour aqui, um ça va bien acolá e… bem… voilà. No entanto, num desdobramento que não chega a ser novidade, eu não poderia estar mais errado. A cada instante, ulula a obviedade de que, no quesito constrangimento, balbuciar palavras ininteligíveis supera a mudez com larga vantagem.
Preciso, urgentemente, aprender a falar direito uma língua estrangeira que não seja o inglês e o português. Português? Claro. Português, para mim, é grego.
Outubro 16, 2007
· Arquivado em Uncategorized
Depois de ver os cinemas de rua do Rio fecharem um a um, fui, ou melhor, vim encontrar um raro exemplar da espécie em Brasília. É claro que rua, neste caso, não passa de força de expressão. Mas o Cine Brasília, do alto de seus 47 anos e 607 lugares, merece a indulgência. À singularidade da localização, somam-se o anacronismo do palco diante da tela, a rara seleção de filmes e a freqüência de eventos gratuitos – uma mistura que costuma pôr na mesma sala sócios-fundadores de cineclubes, jovens de orçamento reduzido e arrependidas senhoras noveleiras.
Assisti no Cine Brasília, desde minha chegada à capital, a Lili Marlene, Anjos caídos e, no último fim de semana, dois filmes da Mostra de Cinema Atual Espanhol (Tapas e Más temporadas). Saldo: um coquetel grátis, R$ 3 em gastos e a certeza de que, se cinema é a maior diversão, sentir a vida que transpira de um autêntico cinema de rua – ou, vá lá, de entrequadra – talvez mereça um honroso segundo lugar.
Outubro 14, 2007
· Arquivado em Uncategorized
A chuva que caiu na noite de sexta deve assinalar uma mudança radical no comportamento de brasilienses nativos e, principalmente, adotivos. Reclamar de seca, agora, só em 2008. Até lá, é pau e pedra nos aguaceiros de fim de tarde, obstáculos à volta tranqüila para casa e às caminhadas antes do jantar. Convenhamos: quem precisa de roupa molhada e acidente de trânsito? Pois cantemos juntos:
Chove chuva
Chove sem parar
Chove chuva
Chove sem parar
Pois eu vou fazer uma prece
Pra Deus nosso senhor,
Pra chuva parar
De molhar o meu divino amor
Outubro 12, 2007
· Arquivado em Uncategorized
Hoje é uma data marcante: meu primeirosegundo Dia de Nossa Senhora Aparecidadas Crianças em Brasília. Como sempre, todos passaram a semana indecisos, em dúvida quanto à melhor maneira de aproveitar o feriado prolongado. Alto Paraíso, Rio de Janeiro ou Nova York? Eu, enquanto minha pessoa, decidi ficar aqui mesmo. Afinal, não é todo fim de semana que tem retrospectiva do Zé do Caixão, show de mágica do Tio André e apresentação do Felippe Salles no Vinheiro Santo Cálice. A cidade ferve.
Para hoje, máxima de 31 graus, com predomínio de sol. Para amanhã, contudo, a previsão é de “pancadas de chuva à tarde e à noite”. Esperar minha Caloi, um dia, deu certo. Vamos ver, agora, se chove.
Outubro 1, 2007
· Arquivado em Uncategorized
— O que você fez no fim de semana?
— Marquei 200 bolinhas.
— Só isso?
— Claro que não. Também escrevi 110 linhas.
— E pra quê?
— Pra ver se mudo de vida.
— Acha que vai conseguir?
— Talvez.
— Por que talvez?
— Acho que marquei muitas bolinhas erradas.
— É difícil acertar as bolinhas?
— Se estudar muito, não.
— Você estudou?
— Pouco.
— Então por que continua com esperança, porra?
— Foi assim que vim parar aqui.