Só faltava mesmo eu morrer aqui. Começar com duas multas de boas-vindas e terminar com uma tragédia na piscina seria uma autêntica trajetória épica. Uma caixa craniana incrivelmente rígida, porém, garantiu, mais uma vez, o prolongamento da história. Do lamentável momento sobraram apenas algumas dores literalmente capitais.
Passado o incidente, as reações foram diversas, constituindo uma magnífica coleção de onomatopéias: ah, oh, hum, ih, tsc tsc e até, acredite, ha ha. Em meio a tais gritos e sussurros, contudo, não houve um indivíduo capaz de pronunciar as duas frases que passaram pela cabeça de todos: “Você podia ter morrido. Você podia ter ficado paralítico”. É isso aí: podia, mas não podeu.
Nem ressentimento ficou. Se um sujeito bondoso me desse um bilhete da megassena e eu não ganhasse o prêmio, também não lhe ficaria eternamente agradecido. É um raciocínio sinuoso, eu sei, mas, para mim, a inépcia garante o perdão.
Grandes mensagens nascem de momentos marcantes. Por isso, para encerrar, peço que tenha sempre em mente: se dirigir, não beba; se beber, não jogue ninguém na piscina.
Bêbado arremessador de aniversariantes disse,
Janeiro 22, 2008 @ 11:12 am
Vaso ruim não quebra. Ming do Paraguai, então… Sorte os azulejos da piscina ficarem intactos.
Ricardo M. de Moraes disse,
Janeiro 22, 2008 @ 12:24 pm
Faltou contar a história do arremeço na piscina: as coisas tradicionais, tipo quem arremessou, em que piscina, quando, como e por quê (se havia algum motivo além de o arremeçador estar bêbado). O velho e bom reflexo de pôr as mãos na frente da cabeça não funcionou?
Ciclo da vida « Dores Capitais disse,
Setembro 18, 2009 @ 2:32 am
[...] um apartamento no Plano, comprar um Tucson e se aposentar. Reproduzir é uma possibilidade; morrer, uma contingência. Perdido no ponto médio, devoto do aluguel e fidelíssimo a um destemido Palio [...]