Faces da morte

Fica para a próximaSó faltava mesmo eu morrer aqui. Começar com duas multas de boas-vindas e terminar com uma tragédia na piscina seria uma autêntica trajetória épica. Uma caixa craniana incrivelmente rígida, porém, garantiu, mais uma vez, o prolongamento da história. Do lamentável momento sobraram apenas algumas dores literalmente capitais.

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Passado o incidente, as reações foram diversas, constituindo uma magnífica coleção de onomatopéias: ah, oh, hum, ih, tsc tsc e até, acredite, ha ha. Em meio a tais gritos e sussurros, contudo, não houve um indivíduo capaz de pronunciar as duas frases que passaram pela cabeça de todos: “Você podia ter morrido. Você podia ter ficado paralítico”. É isso aí: podia, mas não podeu.

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Nem ressentimento ficou. Se um sujeito bondoso me desse um bilhete da megassena e eu não ganhasse o prêmio, também não lhe ficaria eternamente agradecido. É um raciocínio sinuoso, eu sei, mas, para mim, a inépcia garante o perdão.

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Grandes mensagens nascem de momentos marcantes. Por isso, para encerrar, peço que tenha sempre em mente: se dirigir, não beba; se beber, não jogue ninguém na piscina.

3 Respostas até o momento »

  1. 1

    Bêbado arremessador de aniversariantes disse,

    Vaso ruim não quebra. Ming do Paraguai, então… Sorte os azulejos da piscina ficarem intactos.

  2. 2

    Ricardo M. de Moraes disse,

    Faltou contar a história do arremeço na piscina: as coisas tradicionais, tipo quem arremessou, em que piscina, quando, como e por quê (se havia algum motivo além de o arremeçador estar bêbado). O velho e bom reflexo de pôr as mãos na frente da cabeça não funcionou?

  3. 3

    [...] um apartamento no Plano, comprar um Tucson e se aposentar. Reproduzir é uma possibilidade; morrer, uma contingência. Perdido no ponto médio, devoto do aluguel e fidelíssimo a um destemido Palio [...]


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