Antes o problema de Brasília fosse apenas não ter calçada. A verdade é que o heróico pedestre precisa vencer muito mais que a falta de meio-fio para chegar a algum lugar. Tome-se como exemplo a caminhada da quadra 1 à 5 do Setor de Autarquias Sul. Para cumprir a missão, é impossível percorrer qualquer trajeto que se assemelhe, mesmo que vagamente, a uma linha reta. São “estacionamentos” de terra, passagens sem saída, depressões súbitas, áreas interditadas: tudo a conspirar contra o andarilho. No fim, 500 metros podem se transformar, num piscar de olhos, em 700, 800… E, se bobear, o sujeito ainda acaba no prédio errado.
Outra prova interessante da olimpíada do pedestre é atravessar o Eixo Monumental. Em vários trechos, essa via desimportante, que não faz mais que definir o Plano Piloto, não tem sinal, farol, semáforo ou sinaleiro. Ao descer num ponto mal localizado, o caminhante que deseja ir do norte ao sul ou do sul ao norte vira um arremedo de Eddie Murphy no filme Os picaretas. Acredite: na telona, é engraçado.
ReMoTa disse,
Maio 20, 2009 @ 2:20 pm
Tá vendo só? É por isso que gosto d’ocê, caro colega blogante, sem nem te conhecer…
Ontem mesmo fui ao prédio da Polícia Federal, ali no Setor de Autarquias Sul. E pensei, suando, em como é difícil caminhar ali. Na minha opinião, o pior trecho é aquele “estacionamento” ao lado do futuro Bar da Brahma (antigo Monumental). Tem brita, buraco, altos e baixos… e eu, de cima do meu salto plataforma, só pensava: “eu não vou cair… eu não vou cair… eu não vou cair”. E não é que eu consegui me manter de pé??? Ó-te-mo!
daniel disse,
Maio 20, 2009 @ 2:51 pm
há controvérsia sobre as calçadas. mas como meu tempo de pedreste em brasilia esta ha 15 anos luz daqui, nao posso contra-argumentar.
sobre o eixo monumental, ele serve para separar a chuva. as vezes chove no parque mas nao chove no nilson nelson e vice-versa…
Bel disse,
Maio 20, 2009 @ 7:58 pm
Fiquei rindo sozinha aqui lembrando da cena do filme… kkkkk
mas é mega perigoso. Já atravessei mto o eixão. O monumental acho que só passei de carro a vida inteira. Mas o eixão… aventura! Adrenalina totaaaal!
André disse,
Maio 21, 2009 @ 9:27 pm
RC, ano passado fiz um trabalho aí em BSB durante 5 semanas. Caminhava todo dia pela manhã do Setor Hoteleiro Norte ao Setor Bancário Norte. E não é que eu tinha a mesma impressão que você? Um dia eu errei uma das curvas do túnel que dá acesso ao metrô (não me pergunte como) e fui parar num lugar diferente. Mas aí eu vi o prédio onde deveria trabalhar a uns 500 metros. Pensei: “Pô, é só seguir reto!”. Mal sabia eu que 300 metros adiante, simplesmente não havia por onde descer pra atravessar uma avenida. Tive que voltar tudo, blasfemando um monte por conta da irracionalidade espacial brasiliense…
Seu blogue está linkado lá na lista das minhas leituras. Abraços,
rchia disse,
Maio 22, 2009 @ 12:55 am
ReMoTa,
Se bobear a gente estava escorregando simultaneamente em pontos diferentes do SAS.
Bel,
Adrenalina é a palavra certa. Para quem gosta de emoção, é uma opção certeira. E de graça.
André,
Quando você estiver no Setor Hoteleiro Norte, pegue a zebrinha (acho que 22), que ela passa em todos os lugares (do mundo).
Madame disse,
Maio 24, 2009 @ 10:35 pm
Ah, não…vcs reclamam de barriga cheia.O trânsito aí é maravilhoso, os carros andam…e parece que respeitam sinais e faixas.Um paraíso se comparado com a baderna de Curitiba.
Aqui tem calçada aos montes, mas a falta de respeito pelas faixas e pelos pedestres é gigante. Os ônibus aqui são os reis do universo, não estão nem aí pra faixa, calçada ou qq sinalização.