Archive for abril, 2007

Dia de Angélica

Vou de táxi, cê sabe…Do enviado especial ao Rio

Estou pensando em pegar um táxi hoje à noite.

Se lhe parece um fato trivial, acredite que, para mim, não o é. Minha lembrança mais remota de uma corrida de táxi provém de uma noite em que, cansado de ser Clark Kent, pulei do beliche e dei de testa no chão. Tinha seis ou oito anos. Desde então, quase sempre, carro de praça é sinônimo de emergência. Alguém passando mal, sim; volta do bar, não.

Por isso, regozijo-me de estar no Rio. É um 413 para cá, um 229 para lá, uma caminhada para acolá. E Metrô sempre que possível.

Em Brasília, quando se está a pé, o meio de transporte mais eficiente ainda é o telefone. 3321-3030. Rádio Táxi Alvorada. Com 30% de desconto.

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Sentando praça na cavalaria

São Jorge: para animar a festaDo enviado especial ao Rio

Reclamo da vida em Brasília, mas a verdade é que, nos meus quase três meses de exílio, nunca trabalhei à noite ou num feriado. Pois meu Dia de São Jorge terminou assim: na labuta. Saí de casa às 16h40, pronto para dar sangue e suor no cumprimento do meu dever funcional. Pouco antes das 19h, depois de uma escala, cheguei ao local de trabalho, onde a turba aglomerada anunciava uma longa jornada noite adentro…

Foi duro, meus amigos. Manter o pique diante dos Jorges Benjor, Mautner, Aragão e, vá lá, Vercilo, não é para qualquer um, não. Nem com a cerveja e a batatinha frita da área reservada. A camisa encharcada é prova do tanto que suei. O sangue vai ficar para outro dia.

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Boas novas

Aquele abraçoSe eu dissesse que só recebo más notícias em Brasília, estaria mentindo. Esta semana mesmo recebi uma notícia tão boa que quase me vieram lágrimas aos olhos: “Você vai ao Rio”. Veja você que até me perguntaram se a viagem – à minha cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, coração do meu Brasil – me causaria transtorno.

Não, meu amigo, transtorno algum. E disponha sempre.

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O que estou fazendo aqui?

Mas hein?Fiz essa pergunta reflexiva duas vezes no mês passado. Uma, ao receber a notícia da morte do meu querido pai. Outra, ao voltar do Rio, dez dias depois, e encontrar meu carro arrombado. Confesso que deu vontade de sentar e chorar. Não sentei porque homem que é homem não senta. E não chorei porque tinha deixado todas as lágrimas sobre os ombros do meu irmão e da minha mãe.

Agora a pergunta me parece totalmente fora de propósito. Estou aqui, é claro, para contar ao mundo a incrível história do chinês carioca que deixou mulher, família e amigos para morar sozinho, sem TV, fogão ou máquina de lavar, numa cidade em que não chove.

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Insustentável leveza

Depois do regimeDevo admitir: nem tudo que perdi desde que cheguei a Brasília me faz falta. Por exemplo, nestes dois meses e meio, passei de rotundos 79 kg a apenas flácidos 72 kg. Depois de receber muitos pedidos, decidi compartilhar os segredos desse regime que promete relegar ao ostracismo as dietas da proteína, da lua e de South Beach, bem como os anacrônicos Vigilantes do Peso.

Dieta da China

Café da manhã
Uma banana

Almoço
400 g de comida bem sortida num bandejão
100 g de sobremesa engordativa

Jantar
Outra banana

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Febre amarela

Escudo do BrasilienseEu não vi, mas me contaram*: Brasília parou, ontem à tarde, para acompanhar dois dos times mais populares da cidade. Duas semifinais emocionantes em que os favoritos passaram maus bocados antes de conseguirem resultados razoáveis. No Mineirão, o Atlético derrotou o Democrata por 2×1, enquanto, no Maracanã, o Botafogo arrancou um empate em 2×2 com a Cabofriense.

Neste mesmo fim de semana, o Brasiliense, vulgo Jacaré, conquistou o tetracampeonato Metropolitano, vulgo Candango, ao derrotar o Unaí-MG (!) e se beneficiar da vitória do Gama sobre o Ceilândia.

É isso aí. Prestes a completar 47 anos, Brasília ainda vê o futebol como os fãs da NBA vêem o basquete: um esporte muito divertido que só passa na televisão.

Hino do Brasiliense
Autor: Walter Queiroz

Com muita raça e toda a nossa vibração
Salve o Brasiliense, futebol clube, meu irmão
No campo, uma pintura, uma aquarela
E na torcida explode essa febre amarela

Bis
As cores do meu coração
Verde, amarelo e branco
O meu time é campeão

Refrão
É na palma da mão
É com a bola no pé
É na palma da mão
É com a bola no pé
Vacilou caiu na boca, na boca do Jacaré

* Tudo bem, tudo bem. Também não me contaram. Na verdade, eu estava em Belo Horizonte. Depois explico.

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Cidade das letras

Em brasilianês, SHN ou SHSNão, não falo de Parati. A Cidade das Letras é Brasília. Quem sempre morou aqui acha tudo muito lógico e natural, mas, no meu melhor juridiquês, peço vênia para discordar. Não, não é normal sair da QRSW para fazer compras no Extra da EPIA. Não é normal pegar a S1 para cair na L4. Nem encontrar um churrasco no fim por confundir uma QI com uma QL.

A única sigla que fez sentido para esta cabeça tacanha, até agora, foi a do Setor de Oficinas Sul. E, por favor, não me peça para explicar.

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Bem-vindo a Brasília

RadarCheguei a Brasília, depois de 1.150 km ao volante, no dia 31 de janeiro de 2007. No curto trajeto entre a entrada da cidade e a Esplanada dos Ministérios, recebi calorosas boas-vindas, mas só conheci o responsável pela gentileza um mês depois – e por carta. Ele foi tão gentil que me enviou, pelo correio, foto e descrição do momento:

  • Velocidade medida: 69 km/h.
  • Velocidade considerada: 62 km/h.
  • Velocidade permitida: 60 km/h.

No dia seguinte – também só fiquei sabendo depois – pediu que um colega reforçasse as boas-vindas no comecinho da N1. E outra cartinha, lembrando de tudo, não demorou a chegar:

  • Velocidade medida: 69 km/h.
  • Velocidade considerada: 62 km/h.
  • Velocidade permitida: 60 km/h.

Meus amigos, desses meus primeiros dias em Brasília, só posso dizer o seguinte: os radares da capital federal podem ser confiáveis, mas em termos de precisão boto todos no chinelo.

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About « Dores Capitais

Meus genes vieram da China; minha certidão de nascimento, de São Paulo; meu corpo e minha alma, do Rio. Sou servidor público, mas confesso que às vezes acho que não sirvo para nada. Nas horas vagas, traduzo livros lidos por muitos e lembrados por poucos. Sozinho em Brasília, passo as noites ouvindo música, bebendo com os amigos ou pensando nos rumos da política externa brasileira na morte da bezerra. Eu sou assim, quem quiser gostar de mim, eu sou assim. Salve, Paulinho. Meu mundo é hoje.Rodrigo, 32, jornalista, tradutor, servidor público. Viajante e ciclista amador. Chinês. Filho do seu Paulo e da dona Helena. In vino veritas.

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