Gastronomia pública

Afiem os talheresVamos lá: comer na Esplanada é barato. Como se sabe, ou não, os restaurantes dos ministérios e demais órgãos públicos são subsidiados, o que resulta em refeições que raramente passam de R$ 7 ou R$ 8 (com sobremesa). A qualidade, porém, sujeita-se a variações abismais. Ainda não tive tempo ou disposição para explorar toda a ampla gama de opções, mas, em nome da utilidade pública, resolvi dar uma ajuda aos incautos em busca de uma refeição econômica em Brasília. Sem mais delongas, com vocês, o pequeno Guia Michialin:

6º lugar – MRE (Garajão) – *
A Casa de Rio Branco merecia melhor sorte. A comida, até honesta, é daquele tipo que preenche o estômago por toda a tarde. Destaque para o “churrasco”, uma mixórdia de carnes de origem desconhecida, com lingüiça e coração de galinha. Sobremesa e refresco inclusos compensam o preço alto em relação à concorrência (R$ 1213,67, o quilo).

5º lugar – Câmara-Anexo 3 – *
Por R$ 9,909,30, o quilo, é a opção mais barata, o que talvez explique a simplicidade da gastronomia oferecida. Isso não impede, porém, aparições bissextas de pratos extravagantes, como a bisteca ao molho de maçã. Uma versão alternativa, no subsolo, acrescenta saladas especiais e risoto ao cardápio. Sobremesas e sucos à parte.

4º lugar – STF – **
O bandejão, decepcionante, costuma ser coroado com um bife recomendado apenas a possuidores de dentições vigorosas. A pièce de résistance é a opção de pratos de massa ao estilo Spoletto. A refeição (R$ 12,50, o quilo) inclui uma sobremesa simples, mas não o refresco.

3º lugar – Câmara-Anexo 4 (Naturetto) – **
Refúgio dos lactovegetarianos, é também uma das opções mais caras, passando dos R$ 20a R$ 21, o quilo, com sobremesas e bebidas à parte. Deve-se ressaltar que os carnívoros não ficam desamparados: há sempre frango e peixe no menu. Os naturebas, contudo, garantem que imperdível mesmo é o picadinho de glúten.

2º lugar – TCU – **
Os pratos são simples, a variedade, limitada, mas a comida é razoavelmente saborosa. O ambiente, arejado e agradável, compensa a caminhada até os domínios do Tribunal de Contas. A sobremesa, cobrada à parte, vale os poucos reais e as muitas calorias adicionais. R$ 12,9010,60.

1º lugar – PGR – ***
A segregação denuncia a qualidade: o restaurante da PGR só abre para os mortais às 13h. Além disso, é o mais distante e não aceita cartões, e nem assim fica vazio. Por módicos R$ 11, o quilo, come-se bem, com variedade e sabor. Quinta-feira é dia de comida (nem tão) típica: árabe, mineira, mexicana, chinesa. As sobremesas pagas – há sempre um doce em compota ou fruta grátis – exigem firmeza de caráter.

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4 Respostas so far »

  1. 1

    Ricardo Moraes said,

    Até na hora do almoço Brasília leva vantagem.

    Não que eu queira espalhar a comida subsidiada pelo país nem criar Restaurantes Populares à Garotinho. Mas, por que os órgãos federais do Rio não têm restaurante subsidiado também?

  2. 2

    […] 16, 2009 · Arquivado em Gula Um dos temas mais palpitantes do início do blog, a gastronomia pública, virou recentemente tema de série do Correio Braziliense. O leitor do jornal ficou sabendo, por […]

  3. 3

    Mariana said,

    Os restaurantes 1 e 2 do Palácio do Planalto costumavam ser muito bons também. Mas eles não ficam abertos para os mortais. Só para quem trabalha lá e para os visitantes com um propósito muito bem definido.

  4. 4

    […] assim, talvez a tranqüilidade, as piadas prontas e, sobretudo, o fascinante mundo dos restaurantes subsidiados tornassem uma estada prolongada relativamente prazerosa. Ou […]


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