Archive for julho, 2007

Momentos de tensão

Para a luz lá na roça: 220 voltsMandamento número um da mudança para Brasília: verificar a tensão dos eletrodomésticos. O que pode acontecer caso o indivíduo não obedeça à regra? Pode acabar com um monitor bivolt, uma fonte com seletor de voltagem e dois – sim, dois – estabilizadores 115 volts. Depois de consultar meia dúzia de fóruns online, repletos de investidas contra o polêmico aparelhinho mediador, quase decidi enfiar o computador direto na tomada. Acabei desistindo. Afinal, sou estúpido, mas não sou idiota.

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Olha a chuva!

Dá uma força, São Pedro!É mentira!

Quando nuvens levemente acinzentadas espalharam-se pelo céu da capital, ontem, meu coração encheu-se de esperança. Embora não me lembre de quanto tempo dura a estiagem em Brasília, o que me impede de cometer frases mais dramáticas, o certo é que a seca tem sido, como de costume, impiedosa. Na semana passada, a umidade do ar ficou freqüentemente abaixo dos 30%, limite de tolerância do ser humano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O atenuante, dizem os especialistas, é que tais níveis, aqui, são atingidos em breves momentos do dia, quadro distinto do registrado em regiões de clima realmente desértico. Que sorte, hein.

Se algumas recomendações, como beber muita água e evitar exercícios nos períodos mais quentes, são quase óbvias, outras podem surpreender. Na hora do banho, por exemplo, o cidadão preocupado com a saúde da pele só deve passar sabonete nos pés, axilas e genitais. É lógico: o produto, além de tirar a inhaca, remove a camada de gordura que impede a penetração de microrganismos. Feder ou adoecer, eis a questão.

A informação é, indiscutivelmente, a arma mais eficaz para garantir o bem-estar na época da seca. Por isso, saiba que, na tarde de 21 de agosto de 2006, a umidade do ar chegou a 4,8% em Ribeirão Preto. Não sei quanto a você, mas eu já me sinto melhor.

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O conto do grampeador

A arma do cupido modernoReza a lenda que eu teria conquistado minha mulher com um grampeador. A sinopse da fabulosa história é mais ou menos assim: um belo dia, na assessoria de imprensa da UFRJ, rapazola sinobrasileiro arremessa referido aparelho manual em moçoila nipomineira, produzindo, como conseqüência imediata, irresistível atração.

Trata-se, meus amigos, de uma meia-verdade. Para começar, não lancei o grampeador inteiro; apenas o compartimento que contém os grampos. Para terminar, também não produzi a tal irresistível atração; fui muito mais uma vítima.

Vítima dos encantos de uma mulher linda, charmosa e inteligente. E, sobretudo, possuídora da qualidade mais imprescindível numa esposa perfeita: reconhecer e valorizar uma boa grampeada.

Brasília, agora, promete.

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De carros e geladeiras

Detalhe de automóvel pretoSe homens são de Marte e mulheres são de Vênus, de que planeta vêm os carros pretos de Brasília? Sob o sol inclemente, presente em qualquer época, os bólidos negros tornam-se fornos de microondas montados em cima de rodas. Não obstante esse óbvio transtorno temperatural, a cor preta é popular, o que se confirma em levantamento informal nas ruas e estacionamentos. A justificativa, aparentemente, é a beleza. Outro dia, um colega, alvo de oferta informal de venda de determinado carro, comentou: “Se tivesse ar e fosse preto, talvez me interessasse”. É o que se chama de dar uma no cravo, outra na ferradura.

E ainda falam dos diligentes empreendedores que se propõem a vender geladeira no Pólo Norte.

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Lost in translation

Mas hein?Passei muitas das noites do último mês traduzindo um livro sobre vampiros e parasitas. Hookworm? Ancilóstomo. Guinea worm? Filária. Blood fluke? Esquistossomo. Candiru é candiru mesmo, mas, por favor, não me peça detalhes sobre esse meigo peixe teleósteo siluriforme.

O fato é que minha primeira noite livre foi ao melhor estilo “o que estou fazendo aqui?“. Botei um disco do Cartola e pensei se não deveria aproveitar o tempo para ler sobre a Conferência de Algeciras. Ao som de Turíbio Santos tocando Bach, me perguntei se seria o caso de aprender a dançar forró. Quando cheguei ao Radiohead, a resposta apareceu, límpida e cristalina:

Suntory time.

Não tinha. Tomei uma taça de vinho.

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Gordon tinha razão

Isso é que é terra vermelhaEla está na lataria dos carros. Está na ponta dos sapatos. Nos cantos das ruas. Na paisagem que vejo da janela do trabalho. Dizem que é rica em nutrientes. Até agora, só sei que gruda em qualquer superfície. Pelas características, é terra roxa. Para mim, parece vermelha. Estou em Brasília. Preciso me acostumar.

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Ômi, suíte, ômi

Volte para o seu larVou sentir saudade. Da vista da sala, do calor do quarto, do cantinho da suíte. Dos tacos soltos, da pia trincada, do boxe emperrado. Das topadas, dos tropeços. Dos dois aos dezoito, dos vinte e cinco aos trinta. Do jornal na porta. Das formigas na cozinha. Da história. Das histórias. Da Apolo, da Vicius, do Mundial. Do Sr. Haddock Lobo, do Conde de Bonfim, do Professor Gabizo, do São Francisco Xavier.

Vou sentir saudade, mas, com a licença do Mário Quintana, eu moro é dentro de mim mesmo. E agora não falta muito para “mim mesmo” se tornar um lugar bem mais aconchegante.

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