Olha a chuva!

Dá uma força, São Pedro!É mentira!

Quando nuvens levemente acinzentadas espalharam-se pelo céu da capital, ontem, meu coração encheu-se de esperança. Embora não me lembre de quanto tempo dura a estiagem em Brasília, o que me impede de cometer frases mais dramáticas, o certo é que a seca tem sido, como de costume, impiedosa. Na semana passada, a umidade do ar ficou freqüentemente abaixo dos 30%, limite de tolerância do ser humano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O atenuante, dizem os especialistas, é que tais níveis, aqui, são atingidos em breves momentos do dia, quadro distinto do registrado em regiões de clima realmente desértico. Que sorte, hein.

Se algumas recomendações, como beber muita água e evitar exercícios nos períodos mais quentes, são quase óbvias, outras podem surpreender. Na hora do banho, por exemplo, o cidadão preocupado com a saúde da pele só deve passar sabonete nos pés, axilas e genitais. É lógico: o produto, além de tirar a inhaca, remove a camada de gordura que impede a penetração de microrganismos. Feder ou adoecer, eis a questão.

A informação é, indiscutivelmente, a arma mais eficaz para garantir o bem-estar na época da seca. Por isso, saiba que, na tarde de 21 de agosto de 2006, a umidade do ar chegou a 4,8% em Ribeirão Preto. Não sei quanto a você, mas eu já me sinto melhor.

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11 Respostas so far »

  1. 1

    Ricardo Moraes said,

    Outro dia, lendo um livro pop de história da física, descobri que Kepler só tomou um banho na vida (e detestou a experiência).

    Não sei se o livro com a história dos banhos – do Eduardo Bueno – tem algum capítulo sobre os banhos brasilienses. Mas esse argumento de remover a camada de gordura certamente teria deixado Kepler feliz.

    Ele é, certamente, efeito da influência européia sobre os médicos de Brasília.

    Já lançaram alguma gordura-sintérica-pós-banho pra passar na pele aí nessa terra? Ou os cremes de pele comuns dão conta do recado?

  2. 2

    Juliana said,

    Oi Rodrigo! Nunca mais tinha entrado no seu blog (há séculos não entro com calma na internet) e gostei de seus textos sobre a experiência em Brasília. Devo confessar, no entanto, que por mais egoísta que seja a minha opinião, só o fato de ter uma grande probabilidade de acordar e ver um lindo e límpido céu, pleno em seu azul de nuvens esparsas, me deixa tão feliz… EU AMO DIAS DE SOL, E ADORO O CÉU DE BRASÍLIA!!! rsrs bjs Juliana (do MinC, só pra lembrar)

  3. 3

    […] um sentimento distinto do tom usualmente lamurioso destas Dores Capitais. Lembrei que, além de seca, terra vermelha, protestos e radares, a cidade tem seus encantos. Estes, como os endereços […]

  4. 4

    Jan said,

    Parece que a chuva aqui chega de repente. O céu pode estar límpido, lindo, azul, e de um momento para outro, vem a chuva, de gotas grossas, deixa você com os dedos ensopados, escorregando dentro da sandália naquele curto percurso até entrar no carro e faz lembrar imediatamente de todas aquelas roupas que ficaram no varal. Pelo menos foi a experiência que tive em fevereiro, quando passei meu (primeiro) carnaval aqui. Bom, apesar de todos esses inconvenientes – pois eu também sou fã de um céu azul – estou é doida para essa chuva chegar. Umidade no ar, por favor! Acordar no meio da noite com a sensação de que alguém aspirou minha garanta é algo estranho demais… venha logo a chuva, antes que eu me acostume com isso!

  5. 5

    […] Ou, em português castiço, na categoria única forte pra cacete. Por sorte, graças à umidade do ar ligeiramente baixa (15%), suor não é problema. A preocupação atém-se a questões menores, como […]

  6. 6

    Rmx said,

    Não precisa apelar. Use sabonete de glicerina, que não resseca a pele.

  7. 7

    […] uma mudança radical no comportamento de brasilienses nativos e, principalmente, adotivos. Reclamar de seca, agora, só em 2008. Até lá, é pau e pedra nos aguaceiros de fim de tarde, obstáculos à volta […]

  8. 8

    […] um sinal de que o mundo vai acabar em breve. Este ano, em vez de marcar o início do festival de protestos contra a seca (”nossa, já faz quase dois meses que não chove, e tá só começando”), junho será […]

  9. 9

    […] por sua vez, contrastaria com a conversa fácil e a voz a todo volume. O sol exigiria cuidados; a seca, hidratação dobrada. Os endereços deixariam a velha doida de […]

  10. 10

    […] que finalmente chegou para valer, vão muito além dos sapatos imundos, da garganta seca e das implicações sebáceas. O ar parece invariavelmente repleto de poeira, às vezes fumaça, e a sensação é de se estar […]

  11. 11

    […] vias aéreas e previsões esotéricas a respeito da volta das chuvas. De tão manjado, o próprio assunto vira tema de debate, sem sacar que o seco é o ser sol. Sorte que os prédios daqui são […]


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