Pais do dia

Lugar no céuAo pôr as rodas fora de casa no Dia dos Pais, esperava ver uma cabeça de bacalhau, um filhote de pombo, um entrevistado do Ibope. Mas a cena que testemunhei, a poucos metros do meu prédio, foi muito mais surpreendente. Pai e filho soltavam pipa num gramado, sossegados, em aberto desafio ao postulado de que não há pessoas nas ruas de Brasília. A delicadeza do momento, em improvável cenário, trouxe um sentimento distinto do tom usualmente lamurioso destas Dores Capitais. Lembrei que, além de seca, terra vermelha, protestos e radares, a cidade tem seus encantos. Estes, como os endereços exóticos, nem sempre são fáceis de se achar. Pero que los hay, los hay.

Lembrei também que meu pai partiu este ano sem conhecer a nova casa do filho. Ele, que, como eu, fazia jus ao trocadilho do nome, provavelmente reclamaria de tudo, o que não me impediria de captar a doçura de suas palavras. Nada mais natural. Comunicar-se pela estranha língua dos queixumes, a exemplo de soltar pipa, é uma arte que se passa de pai para filho.

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1 Response so far »

  1. 1

    […] suficiente para ter vivido muitas primeiras vezes em solo brasiliense. Primeira multa, primeiro Dia dos Pais, primeiro Ano do Boi… Pois nesta sexta-feira vou para minha estréia em Copa do Mundo. E com […]


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