Archive for outubro, 2007

Papas na língua

Enrolling TonguesDurante muito tempo, a insegurança me manteve em estado de negação, mas hoje estou certo de que sou um poliglota. Recapitulemos: tenho domínio limitado do espanhol, fraco do alemão, pedestre do chinês e horrendo do francês. Desconheço quem fale mal mais idiomas do que eu. Por isso, ao receber a tarefa de acompanhar jornalistas da Argélia em viagem ao Brasil, não esquentei a cabeça. Bastaria um bonjour aqui, um ça va bien acolá e… bem… voilà. No entanto, num desdobramento que não chega a ser novidade, eu não poderia estar mais errado. A cada instante, ulula a obviedade de que, no quesito constrangimento, balbuciar palavras ininteligíveis supera a mudez com larga vantagem.

Preciso, urgentemente, aprender a falar direito uma língua estrangeira que não seja o inglês e o português. Português? Claro. Português, para mim, é grego.

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Cenas de cinema

Olho da ruaDepois de ver os cinemas de rua do Rio fecharem um a um, fui, ou melhor, vim encontrar um raro exemplar da espécie em Brasília. É claro que rua, neste caso, não passa de força de expressão. Mas o Cine Brasília, do alto de seus 47 anos e 607 lugares, merece a indulgência. À singularidade da localização, somam-se o anacronismo do palco diante da tela, a rara seleção de filmes e a freqüência de eventos gratuitos – uma mistura que costuma pôr na mesma sala sócios-fundadores de cineclubes, jovens de orçamento reduzido e arrependidas senhoras noveleiras.

Assisti no Cine Brasília, desde minha chegada à capital, a Lili Marlene, Anjos caídos e, no último fim de semana, dois filmes da Mostra de Cinema Atual Espanhol (Tapas e Más temporadas). Saldo: um coquetel grátis, R$ 3 em gastos e a certeza de que, se cinema é a maior diversão, sentir a vida que transpira de um autêntico cinema de rua – ou, vá lá, de entrequadra – talvez mereça um honroso segundo lugar.

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É o cumulus!

Finalmente, hein, São Pedro!A chuva que caiu na noite de sexta deve assinalar uma mudança radical no comportamento de brasilienses nativos e, principalmente, adotivos. Reclamar de seca, agora, só em 2008. Até lá, é pau e pedra nos aguaceiros de fim de tarde, obstáculos à volta tranqüila para casa e às caminhadas antes do jantar. Convenhamos: quem precisa de roupa molhada e acidente de trânsito? Pois cantemos juntos:

Chove chuva
Chove sem parar
Chove chuva
Chove sem parar

Pois eu vou fazer uma prece
Pra Deus nosso senhor,
Pra chuva parar
De molhar o meu divino amor

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Efervescência infantil

Não esqueça a minha cumulus nimbusHoje é uma data marcante: meu primeirosegundo Dia de Nossa Senhora Aparecidadas Crianças em Brasília. Como sempre, todos passaram a semana indecisos, em dúvida quanto à melhor maneira de aproveitar o feriado prolongado. Alto Paraíso, Rio de Janeiro ou Nova York? Eu, enquanto minha pessoa, decidi ficar aqui mesmo. Afinal, não é todo fim de semana que tem retrospectiva do Zé do Caixão, show de mágica do Tio André e apresentação do Felippe Salles no Vinheiro Santo Cálice. A cidade ferve.

Para hoje, máxima de 31 graus, com predomínio de sol. Para amanhã, contudo, a previsão é de “pancadas de chuva à tarde e à noite”. Esperar minha Caloi, um dia, deu certo. Vamos ver, agora, se chove.

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A vida em bolinhas

Oras, bolas— O que você fez no fim de semana?
— Marquei 200 bolinhas.
— Só isso?
— Claro que não. Também escrevi 110 linhas.
— E pra quê?
— Pra ver se mudo de vida.
— Acha que vai conseguir?
— Talvez.
— Por que talvez?
— Acho que marquei muitas bolinhas erradas.
— É difícil acertar as bolinhas?
— Se estudar muito, não.
— Você estudou?
— Pouco.
— Então por que continua com esperança, porra?
— Foi assim que vim parar aqui.

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