Archive for novembro, 2007

Viva Billy!

2000-2007Billy é meu querido golden retriever prognata, e viva, uma maneira original de informar a morte celebrando a vida. Por isso, ao receber uma mensagem com o assunto “Viva Billy” e depois descobrir do que se tratava, não fiquei exatamente surpreso, nem chocado. Em outras palavras, a rigor, Billy não é, era. Era inquieto, ansioso e desajeitado. Era carinhoso, inteligente e generoso. Era, antes de tudo, um cão, razão por que não posso dizer que era como um filho. Não, Billy era apenas um cão. Para lhe fazer justiça, basta dizer que, como um cão, não poderia deixar mais saudades.

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Dedos privados em lugares públicos

Era digital no serviço públicoQuando se pensa em desvio de recursos públicos, a primeira palavra que vem à cabeça é papel-toalha, certo? Não? Bem, quem sabe lâmpada, então? Também não? Borracha de plástico verde, certamente, ninguém vai estranhar. Ou vai?

Tudo isso, ouvi dizer, some aos montes numa repartição aqui da capital. Mas são os detalhes que tornam as histórias pitorescas. O papel-toalha, depois de longa viagem do banheiro (público) à cozinha (privada), serve para secar batata frita. As lâmpadas, em vez de sumirem do almoxarifado, são retiradas diretamente das luminárias. E a borracha, de tão popular suvenir, acabou na lista negra das licitações, numa versão nada original da manjada história do sofá retirado da sala.

Suspeita-se, sem surpresa, que os perpetradores de tais subtrações sejam, em maioria, serventes e contínuos. Os atos absurdos cometidos por essa gentinha, além de causarem prejuízo ao erário, envergonham o servidor sério, que só quer cuidar do seu trabalho. Fazer um interurbano para a mãe, imprimir a apostila do cursinho e pegar carona em carro de serviço, afinal, não são tarefas para se cumprir cheio de dedos.

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Cenas de cinema (II)

Olho da ruaUma das gratas surpresas de Brasília é a variedade de opções cinematográficas. Se, de um lado, os lugares-comuns apresentam o poderio habitual, de outro, uma linha avançada prestigia filmes nacionais, europeus, independentes, clássicos e outros rótulos tão arriscados quanto os arrasa-quarteirões dominantes na maioria das salas. Da elegância do Cine Academia ao meio-termo do Embracine, passando pelo despojo do Cine Brasília, não falta onde curtir os prazeres da sétima arte. Para um feriado prolongado, numa cidade deserta, é mais do que uma diversão; trata-se da famosa e desgastada tábua de salvação em pessoapelícula.

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À espera

Flores no fim da vidaLas canciones deven ser también sorpresas inesperadas, como las flores de la vida que sin duda les llegaran algún dia a todos ustedes, no lo duden, y les aconsejo que estén bien atentos para no dejar escapar la ocasión de disfrutarlas intensamente.

O texto, do encarte de um CD que por acaso abri hoje, pareceu perfeito para um dia melancolicamente sem surpresas. As bolinhas não bastaram, as boas novas não vieram, e, no fim, desta sexta-feira, ficou apenas uma certeza: preciso estudar mais espanhol.

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In vino veritas

Pausa para os comerciaisEm tempos de declarações, não posso deixar de tecer uma loa à loja que sacia, sem causar desfalques, minha dependência de vinho. A Super Adega, avessa à premissa de que tudo é mais caro em Brasília, vende a bebida a preços honestos, com variedade suficiente para me conduzir ao limite da irresponsabilidade. Sempre que posso, e às vezes quando não posso, dou uma passada por lá para comprar uma garrafa de Santa Julia, Frontera ou Cortello. E, aproveitando a viagem, salame, Super Bonder, papel higiênico… Bem ali, ladeada por Extra, Makro e Wal-Mart, a Super Adega é prova de que muita gente paga caro só para pegar fila. Eu, enquanto eu mesmo, prefiro pagar barato para beber, comer, colar… enfim.

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Efeito Paulicéia

Concorrência deslealAdoro Brasília. Não nego que apreciaria um pouco mais de calor humano e um pouco menos de calor ambiental, mas adoro Brasília. Adoro a ausência de praias e montanhas, a terra que cobre tudo e, antes tarde do que nunca, os dilúvios de fim de tarde. Adoro a fantasiosa prosperidade geral. Adoro até o Congresso Nacional. Adoro Brasília vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana. Se você não a adora como eu, das duas, uma: ou nunca veio aqui ou nunca foi a São Paulo.

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