Archive for maio, 2008

Saudade da saudade

Continua lindoÀs vezes sinto saudade do Rio. Às vezes leio o Globo Online. A conjunção dos dois, no entanto, é coisa rara. Hoje, 29 de maio de 2008, às 11h20, a página inicial do jornal estampa na seção “Rio Hoje” as seguintes chamadas: “Seqüestro acaba em tiroteio em frente ao Canecão”, “MP abre inquérito para investigar falta de licitação das linhas de ônibus”, “Barra de ferro usada por motorista é encontrada”, “Patrulha leva tiros de fuzil na Linha Vermelha”, “Assaltantes atacam em ponto fixo em Niterói”. E a coroa, reluzente como ela só, vem na manchete do site: “PF prende ex-chefe da polícia de Garotinho e denuncia o ex-governador”.

p.s.: Desconcordo da opinião majoritária de que a violência é o maior problema do Rio. Descaso, desordem, desmando: essas, sim, são as pragas, para ficar apenas nos des, que obscurecem os encantos mil do coração do meu Brasil.

Comments (3) »

Confusão urbana, suburbana e rural

Quer pagar quanto?Na quarta-feira passada, assisti, da primeira fila, coladinho ao palco, a uma apresentação de Paulo Moura e Armandinho. Para conseguir o lugar privilegiado, tive apenas de entrar no carro, descer o Eixo Monumental, estacionar diante da Catedral e caminhar poucos metros até o Conjunto Cultural da República. Lá, ao lado do iglu oficialmente conhecido como Museu da RepúblicaNacional, encontrava-se a modesta estrutura de cena, um cercadinho para convidados inexistentes e pouco mais. No início, distraído com versões inesperadas de “O morro não tem vez” e “Águas de março”, não consegui ir além da explicação fácil do feriado no dia seguinte. Um amigo entendeu melhor: não havia chamariz num show com dois músicos geniais e entrada franca. Faltava, em outras palavras, uma boa razão para sair de casa numa noite amena e apreciar música de alto nível ao ar livre. Eu, por sorte, não sou nada exigente.

Comments (1) »

Andar, verbo intransitável

Sempre fechado para quem andaSegunda-feira, 12 de maio de 2008. Depois de breve confabulação, um grupo de colegas de trabalho resolver ir, de carro, almoçar no TST. O veículo é estacionado na rua, a uma linha reta da entrada do prédio, o que não impede um dos comensais de lamentar: “Agora é uma caminhada até lá.” Outro membro da comitiva mostra-se intrigado: entre o ponto em que estão e a entrada, vê-se apenas um estacionamento (de uso restrito) e uma grade verde, certamente interrompida por um portão para o acesso de pedestres. A distância não parece tão… Hein? Pedestres? No sentido de “que ou aquele que anda ou se encontra a pé”? Ah, então, a única opção é contornar toda a grade do estacionamento e entrar com os carros. É assim que a banda toca em Brasília.

Anda quem pode, dirige quem tem juízo.

Comments (6) »

Viagens (II)

Outro tipo de viagemPassei boa parte destes 40 dias de sumiço viajando. Imagens transcendentais, sensações supernaturais. Acordar todo dia num lugar diferente. Rodar 3.500 quilômetros num carro verde-claro. Encarar sol e chuva, neve e deserto. Ficar de olhos arregalados diante de paisagens muito looooooooucas… E, de repente, estar de volta ao mundo real. O certo é o seguinte: viajar é uma arte e, como tal, virou até livro de filosofia barata. Assim, enquanto não chega minha próxima incursão artística, minhas baratas estão de volta.

Comments (1) »