Archive for novembro, 2008

Gama, que Gama?

O Gama mais conhecidoMuitos dos torcedores brasilienses que não quiseram ou não puderam desembolsar R$ 180 para assistir ao chocolate aplicado pelo Brasil em Portugal, na quarta-feira, não conseguiram tirar uma pergunta da cabeça: onde, afinal, fica esse tal de Gama? A resposta mais objetiva, “33 quilômetros a sudoeste de Brasília”, não abranda a ignorância de quem raramente tira as rodas do Plano Piloto. Como todo mundo sabe, até o brasilienseparaibano Herbert Vianna, Brasília é uma ilha. Cercada de regiões administrativas por todos os lados.

A região administrativa Gama, espalhada por uma área de 276,34 km², abrange a outrora denominada cidade-satélite Gama, de apenas 15,37 km². Ao menos, é o que diz a página da Administração da RA II, que conta também, com impressionante clareza, a origem do nome: embora não se tenha conhecimento exato da origem da palavra GAMA com que se intitulava a fazenda que emprestou seu nome à cidade, uma coisa é certa: ela partiu do Platô do Gama onde se localizavam as cabeceiras do ribeirão do mesmo nome.

É nesse lugar, perto do Platô do Gama, que se situa o estádio Bezerrão, onde outro símbolo da região administrativa, a Sociedade Esportiva Gama, mandará seus jogos na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro de 2009. Alguns destemidos moradores de Brasília tiraram os pés da ilha e desbravaram uma das mais distantes RAs do Distrito Federal na quarta-feira. Outros, como eu, quando alvos da pergunta fatídica, terão de continuar a responder: fica logo ali, depois do Núcleo Bandeirante, perto de Santa Maria.

Santa o quê?

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Nas trincheiras da alegria

Interiorrr, eu?De tempos em tempos, penso em escrever que Brasília, capital da república, parece uma cidade do interior. Que basta chover para faltar luz. Que o principal jornal estampa briga de vizinhos na primeira página. Que os supermercados não abrem no feriado. Que de vez em quando o motorista tem de frear para não bater na traseira de uma charrete. Poderia escrever sobre isso, mas não passaria de uma grande demonstração de preconceito. Com o interior.

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Ópio do povo

A bola do GDFO Brasil enfrentará Portugal em Brasíliano Gama, dia 19, e o povo promete fazer uma festa. O povo, fique claro, que puder pagar R$ 180 ou R$ 250 pelo ingresso para assistir à partida. Os 12 mil endinheiradosfelizardos farão companhia a 2 mil sorteados entre moradores da região administrativa, 500 operários que trabalharam na obra… e 7.358 convidados selecionados entre apaixonados admiradores da arte do futebol. O resto terá de ver os craques da seleção – Cristiano Ronaldo, Deco, Nani, Simão, Bosingwa – pela televisão.

Para quem não sabe, o jogo acontecerá no estádio Bezerrão, casa reformada da gloriosa Sociedade Esportiva Gama. Aqui é assim: Walmir Campelo Bezerra é Bezerrão; Elmo Serejo Farias (do Brasiliense) é Serejão; e o Mané Garrincha é… Mané Garrincha mesmo. Manezão, por enquanto, só o torcedor brasileiro.

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Crime inexistente

O mundo gira e a lusitana rodaHá uns 5 dias, furtaram o carro de uma amiga. Há uns 25, também. O carro não é o mesmo, nem a amiga, mas as histórias têm muito em comum. Modelo: Uno. Local: Asa Norte. Paradeiro: desconhecido. As duas registraram boletim de ocorrência. Nenhuma das duas crê na recuperação do veículo. Num dos casos, que seria cômico se não fosse trágico, a polícia chegou a descrever a provável forma de atuação do(s) bandido(s) e a sugerir estratégias para se tentar encontrar o automóvel. A própria ir às ruas para buscar solucionar o crime, ao que parece, não foi cogitado.

A explicação silenciosa para a passividade policial diante dos furtos de automóveis, CD players, rodas e estepes (e até macacos) é de que há delitos mais graves em que se concentrar os esforços. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel, diz a lei, não passa de crime contra o patrimônio. E patrimônio, segue o raciocínio, é o que não falta às vítimas em questão.

Trata-se do crime perfeito. Os ladrões correm risco ínfimo. Os ex-proprietários, depois do lamento protocolar, prontamente substituem seus bens – não raro aproveitando ofertas imperdíveis em feiras insuspeitas. A polícia, diligentíssima, dedica-se a ocorrências mais sérias. E o mais importante: dessa história, ninguém sai ferido. Por enquanto.

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Água, água, água…

...água mineral, água mineralEm 2007, o Brasil foi o quarto maior consumidor de água engarrafada no mundo, com 3,62 bilhões de galões, atrás apenas de Estados Unidos (8,82 bi), México (5,88 bi) e China (4,78 bi). O crescimento de 2002 a 2007 passou de 7%. Nos lares brasilienses, por exemplo, é bastante comum que garrafões de 20 litros substituam filtros, ozonizadores e chaleiras. A opção, além de tudo, é uma pechincha. Principalmente para quem prefere o alheamento à matemática.

Em determinado supermercado da capital, a garrafa de 5 litros da pura água mineral La Priori é vendida por R$ 3,82, ou R$ 0,76 o litro. Culpa, sem dúvida, do plástico. Porque, se a escolha for o garrafão retornável de 20 litros, a R$ 3,97, o litro do precioso líquido sai por R$ 0,20. Vinte centavos por litro para pagar licença, manutenção da estrutura, lavagem dos garrafões, transporte, perdas no armazenamento, margem do varejista e lucro da empresa.

Refrescante, hein?

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