Sem título

NadaQuando cheguei a Brasília, um dos primeiros “boatos” que ouvi dizia respeito a uma sinistra tradição do Pátio Brasil, shopping localizado na área central da cidade. O lugar, segundo as histórias, seria um point dos suicídios. Como os jornais não costumam divulgar esse tipo de assunto e o shopping, evidentemente, nunca assumiria a duvidosa honraria, a veracidade do fato ficava no ar, a despeito dos numerosos relatos na internet e em rodinhas de conversa.

Uma carta à direção do Pátio Brasil, divulgada em abril pelo pai de um jovem morto no local um mês antes, e sua subseqüente repercussão, até na imprensa, acabaram de vez com o mistério. Em 9 de março, Pedro Lucas, de 21 anos, subira ao quarto e último andar do shopping, encaminhara-se ao vão central, vencera uma proteção de 1,20 m e se jogara.

***

Tirei a tarde de sábado para assistir a Gran Torino no Embracine do CasaPark. A discussão central do filme, entre o turrão veterano de guerra Walt Kowalski e o jovem padre Janovich, é sobre quanto cada um sabe a respeito da vida e da morte. Kowalski, recém-viúvo e marcado pelo passado na Coréia, parece levar larga vantagem.

Não surpreende, portanto, que, depois de se aproximar de uma família de imigrantes e de vê-la ameaçada por uma gangue, Kowalski saiba exatamente o que fazer.

***

“Por fim, gostaria de colocar que o shopping deve ser um lugar alegre, que cultive a vida, e não a morte”, conclui o pai, na carta.

Espero, sinceramente, que o Pátio Brasil atenda seu pedido de instalação de uma proteção mais alta no vão central, mas peço licença para, com o devido respeito, discordar da afirmação.

O shopping deve ser apenas o shopping, tanto quanto a vida deve ser apenas a vida e a morte deve ser apenas a morte. Para nós, que continuamos por aqui, basta que cultivemos a humanidade.

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4 Respostas so far »

  1. 1

    Bel said,

    Humor sem graça sobre o Pátio: na entrada, vc ganha um guarda-chuva porque um emo poe cair na sua cabeça a qualquer momento…
    Aqui em Fortaleza tem um shopping preferido para os suicídios dos jovens. Fico preoupada e acho que o shopping tem que fazer sua parte para evitar que essas coisas. Mas acho que, principalmente, a família e os amigos devem estar por perto sempre. Spe que ouço sobre suicidio penso no desespero que levou à pessoa a tal ato. E como psicóloga, fico pensando em como a família poderia ter agido para evitar esse tipo de coisa. E acredito sim que essa energia pesada fica pairando no ambiente…

  2. 2

    daniel said,

    é a ditadura da felicidade

  3. 3

    Mari said,

    Eu desconfio da veracidade dessa carta (e não da ocorrência de suicídios no Pátio Brasil). É como aqueles tantos hoaxes que denunciam certas empresas, alertam para catástrofes ou oferecem celulares grátis da Nokia.

  4. 4

    rchia said,

    Mari,
    A carta não só saiu no Correio Braziliense, como o caso relatado foi o ponto de partida para uma extensa matéria sobre os suicídios no Pátio. Imagino, e espero, que o repórter tenha confirmado sua existência. Mas vai saber…


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