Archive for agosto, 2009

Minhocão

Meia UnBAo saber da minha admissão na UnB, uma querida amiga não perdoou: “é sinal de que está virando brasiliense”. A singela declaração transmitia, em iguais partes, uma alegria natural pela realização e um deboche de quem conhece a relação conflituosa que mantenho com a cidade. Inaugurada em 1962, a UnB, como se sabe, ou não, é um símbolo de Brasília. Ser aluno da única universidade pública da capital, portanto, encerra uma diversidade de significados – a maioria dos quais não compreendo bem. Garanto, contudo, que esse, o de estar “virando brasiliense”, não corresponde à verdade no meu caso específico. Não mesmo, véi.

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Momentos de tensão (II)

Shazam!Em tempos de descartáveis e de alta definição, é raro uma TV de tubo dominar a estante da sala por muitos anos, exibindo inabalável saúde eletrônica. Pois esse era, até poucos dias atrás, o caso da minha destemida LG “Cinemaster” (de 110 volts). Era. Uma conjunção astral entre mudança e lerdeza transformou o aniversário de sete anos do aparelho numa fedorenta sessão de fritura – e despedida. Agora, à noite, enquanto os vizinhos assistem à péssima programação da televisão brasileira, lá em casa se admira a imobilidade da imensa caixa de plástico, vidro e metais altamente tóxicos.

Pensando bem, não faz tanta diferença assim.

p.s.: A maneira mais ecológica de se descartar um eletrônico é entregá-lo a um “posto autorizado credenciado” do fabricante. O difícil, no caso da LG, é conseguir que a empresa lhe indique um.

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Silogismo

Item anuladoQuestão filosófica: se Brasília tem pessoas normais (Plebe Rude, 1985), se todo mundo é uma ilha (Engenheiros do Hawaii, 1986, 1987), se Brasília é uma ilha (Paralamas do Sucesso, 1995), todas as pessoas normais de Brasília são uma ilha? Para sorte do leitor, não é preciso queimar a mufa, nem mergulhar na polêmica ancestral acerca da definição de Brasília. Afinal de contas, pela lógica, uma premissa falsa leva necessariamente a uma conclusão falsa.

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De mudança

CarretoÉ o fim das filas no (único) banheiro de casa. Adeus, diálogos insólitos com locadores excêntricos. Nada mais de atualizações não-solicitadas – e constrangedoras – sobre as vidas dos vizinhos. Escadas, só de alumínio, ou por exercício. Bem-vinda, garagem fechada, no sentido estrito de fechada. Estou me mudando e, sem desmerecer por completo a morada que fica para trás, não há como não prever dias melhores. Nenhuma conveniência, porém, se compara a poder descer de manhã e comprar o jornal numa banca. De tijolo, é verdade, mas uma banca.

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