Felicidade

Ainda chego láDepois de cumprir a parte mais rigorosa do ciclo da vida, o brasiliense costuma se dedicar a um período de obstinada reclusão, que raramente ultrapassa o momento da morte. Nessa fase, por razões estritamente filosóficas, é normal ocorrerem situações que, à superficialidade dos olhos comuns, podem parecer até extravagantes.

No meu prédio, habitado por inúmeras famílias plenamente realizadas, o isolamento é levado a sério. Encontros desnecessários são evitados pelo bem do equilíbrio universal – ainda que isso exija apressar o passo, de modo constrangedor, para pegar o elevador sozinho. Saudações vazias, como “oi”, “bom dia” e a desprezível “tudo bem?”, são ignoradas, numa busca devotada por significação no mundo. As crianças, como sementes do futuro, recebem orientação para não se exporem à chaga da integração social.

Viver, para essa gente, não tem nada de complicado. Mas sempre haverá quem diga que é impossível definir felicidade.

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4 Respostas so far »

  1. 1

    Bel said,

    Tô começando a achar que vc mora num bairro freak: a padaria e a banca fechadas logo pela manhã. E o povo muito, mas muito mal educado!
    Até hoje, spe tive a sorte de ter bons vizinhos. Alguns viraram bons amigos (principalmente por causa dos cães). E olha que já morei na asa norte quase inteira! rs rs
    bjs

  2. 2

    Lua said,

    Acho que você não foi muito feliz na escolha do bloco.
    Nem toda Brasília é assim. Garanto ;o)
    Mas acho que o lance é cumprimentar mesmo, independente de resposta.
    Acho que a gentileza está escassa em grande parte do Brasil.

  3. 3

    […] como minha mãe se sairia em Brasília. Certamente as distâncias incentivariam o sedentarismo. A discrição dos vizinhos, por sua vez, contrastaria com a conversa fácil e a voz a todo volume. O sol exigiria […]

  4. 4

    […] na mulher) brasiliense. Como se sabe, acredito em duende, no Joaquim Roriz e na Veja, mas não em brasiliense simpático. A verdade, porém, é que, caído ali, ralado e humilhado, recebi a atenção de um solícito […]


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