Archive for fevereiro, 2010

Pau a pau (II)

Jogo brigadoHá quem considere comparar Brasília ao Rio de Janeiro uma covardia – para ambos os lados. Copacabana ou Prainha do Largo Norte? Tranqüilidade ou alta tensão? Maracanã ou Mané Garricha? A tarefa, hercúlea, só poderia mesmo ser encarada por um esteta alemão. É o que Max Bense faz em Inteligência brasileira, uma reflexão cartesiana, ensaio que contrapõe o “princípio configuração” do Rio e o “princípio pureza” de Brasília. No texto, Bense, que veio quatro vezes ao Brasil, de 1960 a 1964, produz, segundo o filósofo Luiz Camillo Osorio, uma “investigação sobre a possibilidade do ocidente se reinventar nos trópicos”. A conclusão, nesse contexto, é cristalina. Ou quase.

“O Rio é uma cidade vegetativa, Brasília estrutural. Cidade pictórica e cidade linear. Informal e formativa. Cantos e quadras. O espaço reconstruído e o espaço construído. O ser que caminha e o ser que roda.”
Max Bense, Inteligência brasileira, uma reflexão cartesiana

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Retrato do brasiliense quando jovem

Cobras e lagartos contra a passividadeCom os recentes escândalos a manchar a perfeição brasiliense, proferir critícas sobre a capital (e seus habitantes) tornou-se, para muitos, um gesto de alta traição. O músico Dillo D’Araújo, no entanto, não parece preocupado com isso. Sua entrevista ao Correio Braziliense, publicada no último domingo, é um show de sinceridade – além de, provavelmente, crime de lesa-distrito. Ao lamentar a situação da cultura local, o brasiliense de 34 anos critica os anseios da juventude candanga, que classifica como “completamente estéril” e acomodada. “O pensamento é comum: pra que eu vou me preocupar com questões intelectuais, ‘chatolas’, se eu tenho ao meu alcance o reality show da minha vida? É isso que percebo”, filosofa. Bem, pelo menos, ele percebe.

“Os jovens estão focados não em livros, mas em apostilas para serem bem-sucedidos em concursos públicos. Se eles conseguirem esse objetivo, um emprego estável, automaticamente passam por um processo de acomodação.”

“Esse jovem que está ali, acomodado, não sai de casa, não tem interesse por novas paisagens artísticas, não se interessa por estética, por cinema, por teatro, por literatura. Existe uma paralisia intelectual que paira sobre Brasília. Isto é notório.”
Dillo D’Araújo, em entrevista ao Correio Braziliense

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Esclarecimento

Os responsáveis pelo espetáculo circense Tecendo fios d´éter informam que este não tem qualquer relação com as comemorações dos 50 anos de Brasília.

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60 e espera

Relógio pré-panetonePaul McCartney, Madonna, Beyoncé, U2. Todos esses nomes – e muitos outros – passaram pela cabeça do outrora secretário de Turismo e vice-governador do Distrito Federal Paulo Octávio no último ano. Eram épocas de ufanismo, da Brasília campeã de qualidade de vida, destino turístico imperdível, maior renda per capita do país, símbolo perfeito da república e da democracia. Uma Brasília que merecia do bom e do melhor na festa de seus 50 anos.

Mas aí veio o panetone.

O sonho de ver Paul McCartney e Roberto Carlos em dueto começou a dar vez ao desejo de prestigiar a verdadeira música popular brasileira: Claudia Leitte, Daniela Mercury, Ivete Sangalo… Até que, às vésperas da prisão do governador José Roberto Arruda, aventou-se uma apresentação exclusivíssima de Victor & Léo. A dupla, entretanto, apressou-se em negar qualquer tipo de acerto – duplo sentido à parte – com o GDF.

Em resumo, a 60 dias do cinqüentenário, Brasília não conhece o elenco estelar que abrilhantará seu aniversário. Por enquanto os R$ 20 milhões destinados à comemoração são investidos na divulgação de eventos memoráveis – e fortemente ligados à história candanga – como a exposição “Quadrinho e ilustração” e o espetáculo circense [retirado a pedido].

É como disse Paulo Octávio, já alçado ao posto de governador interino, quando questionado se haveria clima para a festa: “Não é uma festa do governo. É uma festa da cidade, da população”, argumentou.

Afinal, como se aprende pela cartilha dos políticos panetônicos, é mais do que natural que todo mundo queira sua parte…

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Repaginando e reajustando

Oi, voltei!O Espaço Brasil Telecom saiu da cena cultural de Brasília, em julho de 2009, sem alarde. Embora situado num hotel de luxo, de difícil acesso por transporte público, era uma opção econômica para se conferir nomes interessantes da música brasileira e internacional. À época dos últimos espetáculos, supôs-se que a Oi, compradora da Brasil Telecom, simplesmente havia desistido do patrocínio da sala. Agora, com sua reativação, sob a alcunha de Teatro Oi Brasília, descobre-se que foi apenas uma estratégia de repaginação. Os preços, por exemplo, foram repaginados de R$ 40 (R$ 20 na meia-entrada) para R$ 60 (R$ 30) e até R$ 80 (R$ 40). O resto, por enquanto, permanece igual.

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Pão, pão, pão, pão…

Oui, nous avons du painNo mesmo dia em que viu a Beija-Flor amargar o terceiro lugar no Carnaval do Rio, Brasília foi brindada com um glorioso título, a sustentar a luta contra a “ardilosa campanha” que tenta aviltar a capital. O brasiliense, segundo números divulgados pelo Sindicato das Indústrias da Alimentação local (Siab), é o maior consumidor de pão do país. Em 2009, foram mais de 36 kg por pessoa, o equivalente a quase dois pãezinhos franceses por dia. A média nacional ficou em 33,5 kg. A explicação, para um empresário entrevistado pela TV Brasília, é simples: o poder aquisitivo. Aqui, afinal, o dinheiro compra de tudo. Até pão.

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Galho preso

Folia garantida em BrasíliaPolêmica encerrada: Brasília é mesmo uma cidade sem igual. Na quinta-feira, tornou-se a única unidade da federação a ter um governador, no exercício do cargo, preso. As condições de seu encarceramento, na superintendência da Polícia Federal, variam de acordo com o relato. Enquanto aliados descrevem uma “situação humilhante”, um bem-sucedido corretor de imóveis da capital garante que se trata de uma confortável quitinete, climatizada e mobiliada, com acabamento fino e amplo estacionamento externo. De qualquer maneira, parece que falta um pouco de privacidade. Dizem que, ainda no primeiro dia, um agente resolveu interpelar o governador, que se demorava muito no banheiro. Ao que um diligente assessor reagiu: “Deixa o homem trabalhar!”

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