Som e fúria

Poesia em ondasAs louvações poéticas a Brasília raramente fogem aos ipês em flor, ao céu inigualável ou ao modernismo niemeyeriano. Outros tesouros da capital, enquanto isso, permanecem esquecidos – e, talvez por essa exata razão, sejam ainda mais preciosos. Os dias de festa, mesmo os contraditórios que se encerram agora, têm ao menos uma utilidade: a música toca e, quase por milagre, se faz ouvir a quilômetros de distância. Os terrenos descampados, os prédios baixos, o relevo plano explicam muita coisa do ponto de vista acústico-arquitetônico, mas, na madrugada, identificar os acordes de um rock qualquer, vindos do outro lado da cidade, ultrapassa a mera racionalidade. Este é um centro urbano em que o som se propaga livremente. É também, infelizmente, um lugar em que o silêncio se torna cada vez mais ensurdecedor.

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