Archive for agosto, 2010

Segue o seco

Vista panorâmica de Brasília“A seca este ano tá demais!” é um dos pilares da interação social brasiliense. De junho a agosto, no mínimo, os encontros no elevador tornam-se mais fluidos, com animadas conversas sobre os males do ressecamento das vias aéreas e previsões esotéricas a respeito da volta das chuvas (em 2010, com certeza, na segunda quinzena de setembro). De tão manjado, o próprio assunto vira tema de debate, e isso sem sacar que o seco é o ser sol. Sorte que os prédios daqui são baixos.

p.s.: A seca este ano tá demais!

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Afaga e apedreja

O mundo dá voltasQual seria o lado positivo de cair de bicicleta pateticamente e ganhar um joelho purulento para o resto da semana? Antes do último domingo, pensaria em mil disparates, menos na restauração da minha fé no homem (e na mulher) brasiliense. Como se sabe, acredito em duende, no Joaquim Roriz e na Veja, mas não em brasiliense simpático. A verdade, porém, é que, caído ali, ralado e humilhado, recebi a atenção de um solícito casal, que demonstrou sincera preocupação com meu estado e até se ofereceu para me levar em casa. Em seguida, um menino se aproximou, acompanhado da mãe, e perguntou num tom delicioso de compaixão: “O que foi, moço?”

“Eu não tomei cuidado”, respondi, entre atordoado e surpreso.

Eu não tomei cuidado.

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Gastando o latim

Data venia, uma (?#*@&!O ministro recém-aposentado do STF Eros Grau nasceu no Rio Grande do Sul e viveu no Rio Grande do Norte, São Paulo e Paris, entre outros lugares, antes de se mudar para Brasília, por ocasião de sua posse, em 2004. Três anos depois, externou uma veia erótico-literária, com a publicação do romance Triângulo no ponto. Ao comentar a aposentadoria, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o inconteste jurisconsulto malhou a espetacularização das sessões do Supremo e meteu o pau na lei da Ficha Limpa, mas seu lirismo obsceno-legal surgiu definitivo mesmo na opinião sobre a capital. Volenti non fit iniuria.

“Brasília é uma cidade afogada, seca, onde você não é uma pessoa, você é um cargo.”
Eros Grau, ex-ministro do STF, ao Estado de S. Paulo

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