Archive for setembro, 2010

Horário eleitoral

SombrioNão falar de política em Brasília é como se defrontar com uma equidna voando pela janela e não parar para olhar. Num lugar em que um governador preso por receber maços de dinheiro dá a vez a um ex-aliado que, sob a marca da reforma, acaba declarando apoio ao pai de todos os esquemas, não existe a opção de não ter comentários. A despeito de considerações palacianas em contrário, as coisas aqui são tudo, menos normais. Não pode ser normal, por exemplo, o caradurismo de um cidadão que, depois de décadas de fornicação com o interesse público, surge na TV para, impávido colosso, queixar-se das humilhações sofridas em seu longo martírio. Nem pode ser normal que uma epítome do coronelismo-clientelismo-patrimonialismo-populismo engane tanta gente por tanto tempo.

Eu acredito que pode ocorrer uma mudança. Incrível por incrível…

“Talvez, venham dessas raízes, esse apego e amor intenso por Brasília e nosso povo que me enchem a alma e os sentidos, me tornando escravo do desejo de resgatá-la do caos em que se encontra, preparando-a para o futuro dos próximos 50 anos, com melhora radical na qualidade de vida de nossa gente, principalmente dos mais humildes, que sempre se constituíram a razão maior da minha vida pública.”
Joaquim, marido de Weslian Roriz

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Promessas vãs

Mais um dia na forcaAmanhã é segunda-feira, véspera de terça e, por acaso, um dia útil encravado entre um domingo e um feriado. Enquanto amigos avisam pelas redes sociais que estarão numa piscina Tone ou capital européia qualquer, planejo as atividades de uma prazerosa jornada de…. trabalho. É verdade: ocupo meu terceiro cargo público aqui e ainda não conheci o lendário fenômeno do enforcamento. Da mesma forma, nunca registrei ponto para colegas, nem joguei videogame na repartição. Em resumo, não desfrutei, até hoje, de várias das regalias fartamente trombeteadas por amigos, parentes e desconhecidos em geral.

Preciso lembrar de tratar desse assunto na minha conversa semanal com o presidente.

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José e eu, eu e José

O mundo dá voltasPara quem não acredita na gravidade da seca na capital, valem as palavras imortais do presidente do Senado, José Sarney, vítima de uma inflamação na garganta: “Realmente estou pagando o preço que pago a Brasília todo ano, no mês de agosto.” Mas às vezes vem um alento: gotículas de água no shopping, balas refrescantes para a garganta, palavras cantadas no tom certo… E, nesse ritmo baiano-bucólico, segue a vida, até que chegue a chuva abundante e as pessoas comecem a cuspir marimbondos de fogo contra os desígnios de São Pedro.

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