Archive for maio, 2011

Via-crúcis virou circo

Verdadeira obra imortalOs fins de semana em Brasília têm sido movimentados pela presença de equipes de filmagem da superprodução Faroeste caboclo. Para quem não ligou a película ao fonograma, trata-se de filme baseado na música homônima composta em 1979 por Renato Russo e lançada em 1987 pelo grupo Legião Urbana, no disco Que país é este. Da Esplanada dos Ministérios à Universidade de Brasília, do Lago Sul à Cidade Ocidental (GO), as câmeras refazem a saga de João de Santo Cristo, de sua chegada da Bahia à morte “em frente ao lote 14” pelas mãos de Jeremias.

As maiores atenções, quase sempre, vão para a global Ísis Valverde, que vive Maria Lúcia, “aquela menina falsa” para quem Santo Cristo jurou seu amor. Já Fabrício Boliveira (Santo Cristo) e Felipe Abib (Jeremias) transitam praticamente anônimos pelos sets de filmagem.

Ainda não se sabe como o diretor René Sampaio transformará os 9 minutos da música num longa-metragem. Nem como o público brasiliense de hoje reagirá a situações totalmente estranhas à sua realidade: promessas vãs de políticos, tráfico de drogas, roubos praticados por jovens de classe média.

Quanto à maior expectativa, porém, não há dúvida. O brasiliense quer mesmo saber como serão transpostos à telona os versos que surgem pouco antes dos dois minutos de música em que Renato Russo revela seu extraordinário lirismo:

Dizia ele: “Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há

O filme é ambientado no início da década de 1980, mas muita gente acha que, se fosse em 2011, não faria muita diferença.

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Tudo que é sólido…

Feirão imóvelO Feirão da Casa Própria, realizado neste fim de semana em Brasília, é mais uma prova de que bolha imobiliária não existe… e de que fazer conta não é mesmo o forte do pessoal que acredita num mercado sólido, sustentável e de alegrias inesgotáveis. Segundo o sempre imparcial Correio Braziliense, o balanço inicial da Caixa Econômica Federal indica R$ 827 milhões em contratos assinados, muito acima dos R$ 700 milhões movimentados na edição 2010. O problema é que, dizem as más línguas, os imóveis do Distrito Federal se valorizam no mínimo 20% ao ano. Ou seja, nem que fosse por inércia, o Feirão 2011 deveria ter negociado pelo menos R$ 840 milhões.

Mas isso, assim como os milhares de imóveis vazios, o mercado crescente de ágios e a reação veemente do setor imobiliário ao “mito” da bolha imobiliária, é mero detalhe. Comprar imóvel é o investimento mais sólido que se pode fazer em Brasília.

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Preconceito lingüístico

Boca neutraUm dos maiores orgulhos do brasiliense, nato ou naturalizado, é o sotaque. A qualificação pouco importa. Neutro, padrão, jornalnacionálico: o essencial é não repetir o “r” retroflexo dos caipiras, as vogais abertas dos nordestinos, o “s” chiante dos cariocas. Comer sílabas como os mineiros ou interjeicionar como os gaúchos nem pensar. Um autêntico e cosmopolita candango exibe destreza nas fricativas velares surdas, elegância nas vibrantes simples alveolares e precisão nas oclusivas bilabiais sonoras. De fato, com essa discrição toda, nem sempre é fácil identificar um brasiliense só pelo jeito de falar.

Véi, isso é muito massa, tá ligado?

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Instrutores de barbearia

Primeira aulaUma greve dos instrutores de autoescolas do Distrito Federal surpreendeu neste sábado um monte de aspirantes a motoristas habilitados. O sindicato da categoria (Sieame) quer regularização do salário, incluindo as comissões por aula, e controle da jornada de trabalho, que alcançaria 12 horas em certos dias. Dizem as más línguas que os instrutores só não aceitam vincular seus ganhos ao desempenho dos alunos. Com o motorista da capital disputando o título de pior do Brasil, ou pelo menos o de mais barbeiro, o rendimento desses profissionais poderia até baixar.

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2.570.160

Quem sou eu, quem é você?O Distrito Federal não pára de crescer. A gloriosa capital nacional alcançou em 2010, segundo o último censo do IBGE, a incrível marca de 2.570.160 habitantes. O número representa 2.070.160 moradores a mais que os previstos no projeto original de Lucio Costa, a quarta maior população do país e um pouco de gente de mais para o gosto da família real brasiliense.

Ceilândia é hoje a maior região administrativa do DF. Lá viviam no ano passado, ainda pelo censo do IBGE, 402.729 pessoas. Segundo a história oficial, a cidade foi criada para receber os favelados de Brasília, que em 1969 já totalizavam 79.128. A primeira-dama à época comandou, então, a Campanha de Erradicação das Invasões (CEI) – certamente com a melhor das intenções – e encostou o povo a 25 km das famílias de bem que lutavam para desenvolver a capital.

Não deixa de ser irônico, portanto, que Ceilândia tenha se tornado, 40 anos depois, um dos principais alvos de invasões no agora superpopulado Distrito Federal. Quem sabe não seja hora de um visionário democrata sugerir a realização de outra campanha? Nova Ceilândia vem aí.

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