Archive for outubro, 2011

Esforço de reportagem

Olha o ralo!Faz tempo que a Veja virou um pastiche de si mesma: em vez de reportagens, publica panfletos, não raro impondo a seus repórteres as mais incríveis rotinas do jornalismo de tese. Não deixa de ser uma surpresa, portanto, descobrir nesta semana a edição especial Veja Brasília oferecendo ao leitor autêntico esforço de reportagem. Só assim para cumprir o que a revista anuncia na capa: “120 razões para amar nossa capital”. E, tirante uma ou outra forçação de barra, como o destaque a um ponto de encontro de cachorros emergentes (?!?!), Veja cumpre a promessa. “Nossa capital” pode não ter 120 razões para ser amada. Mas numas 95, 96, até que dá para acreditar.

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Jogando contra o patrimônio

Só rezandoBrasília comemora um crescimento de 30% no número de visitantes estrangeiros, em 2010, mas há uma turma de forasteiros que a cidade não quer ver pintada nem de ouro olímpico. Trata-se do Comitê do Patrimônio Mundial, da Unesco, que tenta sem sucesso definir uma data para visitar a capital brasileira e fazer um diagnóstico do que (não) tem sido feito para a preservação do título conquistado em 1990. Em julho, o comitê divulgou documento em que reitera antigos pedidos de informações e providências, alguns datados de 2001. Do controle da ocupação nas margens do Lago Paranoá à criação de uma “zona de amortecimento” para evitar espigões em torno do Plano Piloto, as recomendações dos técnicos da Unesco são solenemente ignoradas, ano após ano, numa tradição que desconhece correntes ideológicas ou partidárias. A regra é uma só: permanecer imóvel. Imóvel.

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Cada um no seu (metro) quadrado

A arte de contar pessoasQuantas pessoas cabem em um metro quadrado? É essa pergunta que policiais, jornalistas, manifestantes e palpiteiros em geral tentam responder sempre que uma aglomeração toma as largas avenidas de Brasília. Na recente 2ª Marcha Contra a Corrupção, por exemplo, a multidão encolheu de mais de 20 mil para 11 mil em poucas horas. Mas nenhuma disparidade supera a registrada neste sábado, por ocasião de mais uma Zombie Walk, celebração performática, artística e escalafobética realizada em várias cidades do mundo no mês de outubro. Depois de calcular área, proporção ocupada, densidade e ritmo de deslocamento, o glorioso Jornal de Brasília cravou na mosca: havia 1,5 mil pessoas vestidas de zumbi na caminhada entre a Torre de TV e o Museu da República. Para especialistas, no entanto, o número é absurdo. Eles estimam em centenas de milhares, por baixo, os mortos-vivos da capital.

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Eletrizante

Fica quieto ou leva choque!Em seu esforço permanente para tornar Brasília mais atraente aos turistas, o Governo do Distrito Federal resolveu que, a partir do fim de outubro, agentes de trânsito do Detran portarão armas de choque. A ideia é que os motoristas mais indóceis levem, além da multa, uma bela descarga elétrica. Ou, nas palavras eufemísticas do gerente de fiscalização do órgão ao Correio, “uma onda nos músculos equivalente à energia liberada pelo cérebro humano”. Já o presidente do Sindicato dos Servidores do Detran-DF (Sindetran) relatou ao UOL que, a cada 15 dias, é registrada uma agressão física a agente de trânsito, o que justificaria a medida.

Faltou perguntar, em ambos os casos, o que o cidadão deverá fazer se houver abuso. Além de cair no chão e ficar tremendo, claro.

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Distrital

A inconstitucionalidade do dia-a-diaO cidadão ouve o vizinho falando da partilha dos royalties entre os estados e já vai logo corrigindo: “Entre os estados e o Distrito Federal!” E lá vem a cantilena constitucional… A República se divide em União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Brasília é a capital federal. É vedada a divisão do Distrito Federal em municípios. Tudo muito simples, tudo muito claro.

Agora pergunta se esse sujeito toma chope no Mercado Distrital. Pegunta se ele vai às compras no Conjunto Distrital. Pergunta se ele vê espetáculos no Teatro Distrital.

Aqui a única coisa distrital de verdade é a Câmara Legislativa.

Que fica na Quadra 2, Lote 5, da Praça Municipal.

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