Archive for Gula

Pão, pão, pão, pão…

Oui, nous avons du painNo mesmo dia em que viu a Beija-Flor amargar o terceiro lugar no Carnaval do Rio, Brasília foi brindada com um glorioso título, a sustentar a luta contra a “ardilosa campanha” que tenta aviltar a capital. O brasiliense, segundo números divulgados pelo Sindicato das Indústrias da Alimentação local (Siab), é o maior consumidor de pão do país. Em 2009, foram mais de 36 kg por pessoa, o equivalente a quase dois pãezinhos franceses por dia. A média nacional ficou em 33,5 kg. A explicação, para um empresário entrevistado pela TV Brasília, é simples: o poder aquisitivo. Aqui, afinal, o dinheiro compra de tudo. Até pão.

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Gastronomia pública (II)

Milhões na mesaUm dos temas mais palpitantes do início do blog, a gastronomia pública, virou recentemente tema de série do Correio Braziliense*. O leitor do jornal ficou sabendo, por exemplo, que funcionam, hoje, dez restaurantes subsidiados na Esplanada dos Ministérios e que o mais barato é o do bloco R (Comunicações e Transporte), com um quilo de comida a diminutos R$ 7,97. Descobriu também que uma única empresa opera cinco desses estabelecimentos e que fora dali, no paraíso do Legislativo e do Judiciário, a comida é melhor e mais cara.

Algumas dúvidas, no entanto, permanecem. Restaurantes em órgãos públicos dão lucro? Um sócio da empresa Manancial garante que “vale a pena”. Para uma sócia do Taioba, porém, “o negócio é pouco lucrativo”. E os subsídios? Uma matéria informa que “os restaurantes da Esplanada não se beneficiam de subsídios integrais”. Outra garante que, no Legislativo e no Judiciário, “o volume de subsídios – como isenção ou redução na cota de aluguel, água ou energia – é menor”. Interessante e pouco conclusivo.

No fim, a série satisfaz como serviço e curiosidade, mas fica devendo no aspecto investigativo. A pança cheia, pelo menos, continua garantida.

* As matérias foram publicadas nos dias 24/5, 01/6, 08/6 e 15/6. O acesso ao conteúdo do Correio é restrito a assinantes.

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Natureba (II)

Mais verde na mesaPara completar o informal guia de restaurantes naturais de Brasília, seguem comentários sobre outros dois legítimos naturebas, o Rei do Glúten e o Girassol.

O Rei do Glúten (411 Sul), oficialmente Sabor Natural, faz jus ao nome. Além de legumes e verduras, o comilão pode degustar uma variedade de pratos à base de glúten, incluindo uma feijoada completa. Ou quase. A casa só podia dar uma maneirada no preço (R$ 27,90, o quilo), já que carne, sob qualquer forma, é item proibido no bufê. Atenção: contém glúten.

O Girassol (na movimentada 409 Sul), por sua vez, é um exemplo de cozinha minimalista: o freguês começa a se servir e, quando se dá conta, os pratos já acabaram. O bufê diminuto (R$ 28,70, o quilo) tem muitos molhos e até radicchio entre as verduras, mas o resto se resume a arroz, feijão e dois (ou três) pratos quentes. Registre-se que, se um deles for a torta de ricota com shitake, vale a pena.

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Natureba

Verde e prataEmbora contraditado por minha protuberância abdominal, desenvolvi, aqui em Brasília, certa predileção pelos restaurantes naturais. Seguramente, o fato de não serem fundamentalistas ajudou, mas a verdade é que a maioria – dos que conheço – oferece uma satisfatória mistura de sabor, ambiente agradável e preços acessíveis. O quilo varia em torno de R$ 30, o que resulta em refeições de cerca de R$ 15, com direito a um suco natural.

A vedete do ramo é a rede Naturetto, com restaurantes na 405 Norte e 403 Sul, mais um cantinho apertado no Anexo IV da Câmara dos Deputados. Além de grande variedade de legumes e verduras, tem no cardápio um (nada) apetitoso picadinho de glúten, um delicioso arroz integral e peixes grelhados e ao molho. Na filial da 403 Sul, chamada de “Família”, o rango pode incluir aberrações como carne grelhada e pizza.

Na 105 Norte, A Tribo aposta na filosofia do “menos é mais”. As saladas são escassas e o resto passa longe do farto. Mesmo assim, o quibe de tofu e tomate seco, o suflê de bacalhau, a feijoada natural e o alho assado não deixam ninguém passar fome. Os sucos, com destaque para o famoso Bomba, também agradam. Ponto negativo: a bebida costuma chegar quando o freguês já está a caminho de casa.

Os outros dois naturais da minha lista pessoal ficam um tantinho atrás: o Natural Green’s (202 Sul e 302 Norte) é pouco mais que um bufê de saladas, enquanto o Bardana (405 Sul), que confesso não visitar há tempos, traz – ou trazia – uma mescla meio desarmônica sob o rótulo de lactovegetariano.

De tanto comer nesses lugares, pensei, mais de uma vez, em me tornar vegetariano. Nada, porém, que uma suculenta picanha não resolva.

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Clone de girafa

Qual será o Clone de Frango?Presente em 14 estados, o Giraffas já é conhecido de boa parte dos brasileiros, mas em nenhum lugar desfruta de tamanha popularidade como no Distrito Federal. A rede começou aqui, em 1981, e é aqui que, com uma estranha combinação de pratos feitos e sanduíches, faz bonito contra os grandes nomes do fast food. O fato é que, se nos quesitos preço e sabor pode haver dúvidas quanto à superioridade do Giraffas, quando se fala em nomes criativos, fica difícil defender os Big Macs e Big Bobs da vida. Onde mais um simples lanche acabaria no consumo de um Galo de Briga, de um Brutus ou de um suculento Clone de Frango? Ficou assustado? Espere para ver a descrição dos ingredientes.

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In vino veritas

Pausa para os comerciaisEm tempos de declarações, não posso deixar de tecer uma loa à loja que sacia, sem causar desfalques, minha dependência de vinho. A Super Adega, avessa à premissa de que tudo é mais caro em Brasília, vende a bebida a preços honestos, com variedade suficiente para me conduzir ao limite da irresponsabilidade. Sempre que posso, e às vezes quando não posso, dou uma passada por lá para comprar uma garrafa de Santa Julia, Frontera ou Cortello. E, aproveitando a viagem, salame, Super Bonder, papel higiênico… Bem ali, ladeada por Extra, Makro e Wal-Mart, a Super Adega é prova de que muita gente paga caro só para pegar fila. Eu, enquanto eu mesmo, prefiro pagar barato para beber, comer, colar… enfim.

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Gastronomia pública

Afiem os talheresVamos lá: comer na Esplanada é barato. Como se sabe, ou não, os restaurantes dos ministérios e demais órgãos públicos são subsidiados, o que resulta em refeições que raramente passam de R$ 7 ou R$ 8 (com sobremesa). A qualidade, porém, sujeita-se a variações abismais. Ainda não tive tempo ou disposição para explorar toda a ampla gama de opções, mas, em nome da utilidade pública, resolvi dar uma ajuda aos incautos em busca de uma refeição econômica em Brasília. Sem mais delongas, com vocês, o pequeno Guia Michialin:

6º lugar – MRE (Garajão) – *
A Casa de Rio Branco merecia melhor sorte. A comida, até honesta, é daquele tipo que preenche o estômago por toda a tarde. Destaque para o “churrasco”, uma mixórdia de carnes de origem desconhecida, com lingüiça e coração de galinha. Sobremesa e refresco inclusos compensam o preço alto em relação à concorrência (R$ 1213,67, o quilo).

5º lugar – Câmara-Anexo 3 – *
Por R$ 9,909,30, o quilo, é a opção mais barata, o que talvez explique a simplicidade da gastronomia oferecida. Isso não impede, porém, aparições bissextas de pratos extravagantes, como a bisteca ao molho de maçã. Uma versão alternativa, no subsolo, acrescenta saladas especiais e risoto ao cardápio. Sobremesas e sucos à parte.

4º lugar – STF – **
O bandejão, decepcionante, costuma ser coroado com um bife recomendado apenas a possuidores de dentições vigorosas. A pièce de résistance é a opção de pratos de massa ao estilo Spoletto. A refeição (R$ 12,50, o quilo) inclui uma sobremesa simples, mas não o refresco.

3º lugar – Câmara-Anexo 4 (Naturetto) – **
Refúgio dos lactovegetarianos, é também uma das opções mais caras, passando dos R$ 20a R$ 21, o quilo, com sobremesas e bebidas à parte. Deve-se ressaltar que os carnívoros não ficam desamparados: há sempre frango e peixe no menu. Os naturebas, contudo, garantem que imperdível mesmo é o picadinho de glúten.

2º lugar – TCU – **
Os pratos são simples, a variedade, limitada, mas a comida é razoavelmente saborosa. O ambiente, arejado e agradável, compensa a caminhada até os domínios do Tribunal de Contas. A sobremesa, cobrada à parte, vale os poucos reais e as muitas calorias adicionais. R$ 12,9010,60.

1º lugar – PGR – ***
A segregação denuncia a qualidade: o restaurante da PGR só abre para os mortais às 13h. Além disso, é o mais distante e não aceita cartões, e nem assim fica vazio. Por módicos R$ 11, o quilo, come-se bem, com variedade e sabor. Quinta-feira é dia de comida (nem tão) típica: árabe, mineira, mexicana, chinesa. As sobremesas pagas – há sempre um doce em compota ou fruta grátis – exigem firmeza de caráter.

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