Archive for dezembro, 2009

Frases de Oscar

O frasista de BrasíliaAos 102 anos, completados há uma semana, Oscar Niemeyer carrega o peso de ser um brasileiro “gênio da arquitetura”. Assim qualificado, é convocado a dar opinião não só sobre seu ofício, como também sobre política, casamento, longevidade, religião, cultura, esporte… É provavelmente Brasília, contudo, o tema mais freqüente nas entrevistas. A cidade de três pais e nenhuma mãe merece o respeito do gênio, mas nada que se confunda com papas na língua. No passado, Niemeyer lamentou sua incompletude; hoje, devidamente provocado, usa substantivos menos nobres para defini-la, em parte.

“Bom, (em) Brasília, você tem acho que duas classes de habitantes… Você tem o habitante que mora no Plano Piloto, que tem apartamento, tem tudo. Essa parte de apartamento ligado à escola e ao comércio local foi muito bem pensada pelo Lucio, funciona muito bem. Agora, você atravessa Brasília, chega nas cidades-satélites, é uma merda.”
Oscar Niemeyer, em entrevista a Kennedy Alencar, da RedeTV!

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Clima de deserto

CaminhadaÉ no fim do ano que Brasília faz jus à fama, para muitos indevida, de ser um deserto. O título, no entanto, nada tem a ver com a ausência de chuvas (ora abundantes) ou com a amplitude térmica. É deserto no cansado sentido figurado: deserto de gente e, incrivelmente, até de carros. Com os recessos do funcionalismo público, e a despeito da crescente paixão dos locais pela cidade, as malas se multiplicam, as avenidas se esvaziam e, aos poucos, o silêncio se torna ensurdecedor, a comprovar que existe, sim, saída para as mazelas da capital. Aliás, saídas: Aeroporto Internacional JK, Rodoviária do Plano Piloto, Rodoferroviária, Saída Sul, Saída Norte.

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Outra cinqüentona

Os louros (ou arrudas) a quem fazQuando, há mais de 50 anos, Adhemar de Barros lançou as bases da doutrina do “rouba, mas faz”, provavelmente não imaginava que esta chegaria robusta ao século 21. Pois na capital deste Brasil varonil muita gente, com destaque para os segmentos “mais educados”, adotou o lema do finado Promessão para defender o governador José Roberto Arruda. O suposto chefe de um suposto esquema de suposta propina não titubeou e embarcou na estratégia. No confuso pronunciamento em que anunciou sua desfiliação do DEM, Arruda denunciou um “triste espetáculo”, “armadilhas”, “insinuações”, “vis expedientes”, “farsa”, mas, para provar que não cometeu crime algum, preferiu recorrer aos “dois mil ônibus novos”, “mil salas de aula” e “duas mil obras em andamento” que marcam “uma gestão que está construindo uma Brasília melhor”.

Uma possível solução para o problema, seguindo essa linha de raciocínio, seria decuplicar o minguado subsídio de R$ 16.099 ora destinado ao ocupante do cargo de governador do Distrito Federal. Com uma remuneração bruta anual superior a R$ 2 milhões, talvez o gestor, sentindo-se devidamente recompensado, se dispusesse a fazer sem roubar. Ou não.

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