Archive for janeiro, 2008

Um ano depois

Primeira velinhaEle nasceu em Shandong, oficialmente em 1932; mudou-se para Hong Kong na juventude; casou-se; e veio para o Rio de Janeiro, em 1968. Passou muito tempo trabalhando em outros lugares, longe da família, para ajudar a criar os dois filhos. Aposentou-se, finalmente, no início de 2006. Porém, depois de uma vida de sacrifícios, resolveu que não receberia retribuição. Na semana passada, partiu.

Você talvez conheça uma história parecida. Mas esta, do Sr. Chia, é só minha. Se tomo seu tempo com ela, é apenas para prestar uma pequena homenagem a um homem que, tendo passado a maior parte da vida no Brasil, nasceu e morreu chinês – e mostrou, em 74 anos, o que há de melhor nessa herança.

No ano passado, fomos juntos à China, e, embora meu chinês fosse tão ruim quanto o português dele, gosto de acreditar que, enfim, pude entendê-lo plenamente. Aquela era sua vida. Mas, por mim, meu irmão e minha mãe, ele nunca voltou. Um dia voltaremos juntos.

Há exatamente um ano, um Palio vermelho entrava em alta velocidade (62 km/h) na capital, carregando um cidadão com um estranho projeto na cabeça. De lá para cá, foram fortes emoções, muitas relatadas aqui. A maior, porém, por anteceder este barraco, acabou relegada a outro espaço. Hoje aproveito a efeméride para preencher a lacuna. De todo modo, balanço por balanço, neste primeiro ano aqui nada me balançou mais.

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Verão glacial

Agora sim!É o fim do mundo. Há pelo menos dez dias faz frio e chove em Brasília. Esqueça os diminutivos: não se trata de um friozinho, nem de uma chuvinha. É frio de tirar casaco do armário e chuva de dar esperança a ministro novo. Até JK, em sua pose memorial, desapareceu outro dia no meio de um nevoeiro. Na terra das passeatas, ongs e movimentos populares já preparam uma manifestação para os próximos dias, quando instarão São Pedro a restabelecer o regime de sol e seca. Se chover ou fizer frio, é óbvio, a passeata ficará para depois do Carnaval. Créu.

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Faces da morte

Fica para a próximaSó faltava mesmo eu morrer aqui. Começar com duas multas de boas-vindas e terminar com uma tragédia na piscina seria uma autêntica trajetória épica. Uma caixa craniana incrivelmente rígida, porém, garantiu, mais uma vez, o prolongamento da história. Do lamentável momento sobraram apenas algumas dores literalmente capitais.

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Passado o incidente, as reações foram diversas, constituindo uma magnífica coleção de onomatopéias: ah, oh, hum, ih, tsc tsc e até, acredite, ha ha. Em meio a tais gritos e sussurros, contudo, não houve um indivíduo capaz de pronunciar as duas frases que passaram pela cabeça de todos: “Você podia ter morrido. Você podia ter ficado paralítico”. É isso aí: podia, mas não podeu.

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Nem ressentimento ficou. Se um sujeito bondoso me desse um bilhete da megassena e eu não ganhasse o prêmio, também não lhe ficaria eternamente agradecido. É um raciocínio sinuoso, eu sei, mas, para mim, a inépcia garante o perdão.

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Grandes mensagens nascem de momentos marcantes. Por isso, para encerrar, peço que tenha sempre em mente: se dirigir, não beba; se beber, não jogue ninguém na piscina.

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Clone de girafa

Qual será o Clone de Frango?Presente em 14 estados, o Giraffas já é conhecido de boa parte dos brasileiros, mas em nenhum lugar desfruta de tamanha popularidade como no Distrito Federal. A rede começou aqui, em 1981, e é aqui que, com uma estranha combinação de pratos feitos e sanduíches, faz bonito contra os grandes nomes do fast food. O fato é que, se nos quesitos preço e sabor pode haver dúvidas quanto à superioridade do Giraffas, quando se fala em nomes criativos, fica difícil defender os Big Macs e Big Bobs da vida. Onde mais um simples lanche acabaria no consumo de um Galo de Briga, de um Brutus ou de um suculento Clone de Frango? Ficou assustado? Espere para ver a descrição dos ingredientes.

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De janeiro

Continua lindoPedalada no Maracanã, trilha na Floresta, caminhada na Lagoa. Lamas, Frango Veloz, Naturelle. 220, 415, 433. Praça Quinze, Praça da Bandeira, Praça Sãens Pena. Amigos, parentes, desconhecidos. Samba, praia, futebol. A saudade, às vezes, aperta. E apertar hoje talvez não tenha sido coincidência.

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Febre amarela (II)

Hino de rara inspiraçãoEufemisticamente, digamos que faltou um pouco de bom senso, alguns anos atrás, ao compositor Walter Queiroz. Agora, o Brasiliense provavelmente precisará de um novo hino para a disputa do Candangão 2008, que começa no próximo dia 20. Não vai pegar nada bem a torcida do Jacaré, depois de duas mortes e um princípio de pânico, entoar os formidáveis versos nas arquibancadas:

Com muita raça e toda a nossa vibração
Salve o Brasiliense, futebol clube, meu irmão
No campo, uma pintura, uma aquarela
E na torcida explode essa febre amarela

Serviço: a vacina contra a febre amarela pode ser tomada na rede de postos de saúde do Distrito Federal, das 8h às 17h, inclusive aos sábados e domingos (durante este mês).

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Fim de ano na capital

Congresso nas últimas horas de 2007Pela primeira vez, passei o fim de ano na capital federal. Sem grandes festas, o jeito foi caminhar pelas ruas vazias, tomar um sorvete e admirar os belos traços do Congresso. O sol, particularmente escaldante, demorou a ir embora, prolongando a despedida de 2007. E, de repente, o ano tinha acabado. Voltar para casa, acreditem, foi um pouco sofrido.

Buenos Aires vai deixar saudades.

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