Archive for abril, 2009

Capital avec C maiúsculo

Olá, França, eu sou o JKDizem que, ao saber dos planos de mudança da capital, do Rio para Brasília, o corpo diplomático estrangeiro (para não falar do brasileiro) quase arrancou as cuecas pela cabeçamanifestou um leve desagrado. Não sei por que essa história me veio à cabeça, mais de 50 anos depois, ao descobrir que o primeiro evento do badalado Ano da França no Brasil em terras candangas só acontecerá nesta quinta-feira, 30 de abril. Para quem não ouviu nada a respeito, a Orquestra Nacional de Champs-Elysées tocará no Teatro Nacional Claudio Santoro, a partir das 20h30, com entrada franca.

A abertura do Ano da França aconteceu no dia 21 de abril (aniversário de uma importante cidade do Centro-Oeste), com um espetáculo pirotécnico no Rio de Janeiro, e até o dia 30, segundo o calendário oficial da organização, Ouro Preto, Manaus e São Paulo já terão recebido seus primeiros eventos.

A apresentação de A sinfonia fantástica de Berlioz pela Orquestra de Champs-Elysées, portanto, será imperdível. Embora se acredite que até 15 de novembro, quando se encerrará o Ano da França (em São Paulo), Brasília volte a festejar a cultura francesa…

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No vácuo

Bom dia!— Bom dia.
— …
— Tudo bem?
— …
— Obrigado.
— …

***

Eis uma peculiaridade do brasiliense que realmente me incomoda. O indivíduo chega cheio de educação para dar e sai ensurdecido pelo silêncio do interlocutor. Os mais sortudosinsistentes ainda conseguem arrancar um grunhido como resposta. Grouf. A maioria, porém, fica no vácuo. Dizem que não é por mal, e eu até acredito, embora continue achando que por bem também não haja de ser.

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Bifurcação

A vida segue às pedaladas.

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Pau a pau

Resultado bom para os dois ladosBrasília ganha do Rio em alguns quesitos e perde em outros. Quando se fala em números impressionantes, contudo, a disputa é acirrada. Se as autoridades cariocas costumam se gabar dos inacreditáveis 2 milhões que passam o réveillon na praia de Copacabana, o GDF não deixa barato e garante que 1,3 milhão de pessoas se reuniram na Esplanada para o aniversário de 49 anos da capital. O páreo também é duro no banal absurdo da violência. Ano-novo em Copa, cinco feridos por balas perdidas; bodas de Brasília, 27 esfaqueados (segundo a Secretaria de Segurança Pública, “apenas” 11, mais uma morte).

Enquanto isso, na Sala da Justiça…

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Parabéns

Igreja Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, VPEm 15 de março de 1956, já empossado, Kubitschek assinou a Mensagem de Anápolis, lançando as bases da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, Novacap, transformada na Lei nº 2.874, de 19 de setembro de 1956, cujo artigo 33 sacramentou o nome Brasília para a futura capital. O engenheiro Israel Pinheiro foi nomeado como o primeiro presidente da Novacap, dando início aos trabalhos de terraplenagem em 3 de novembro de 1956.*

Este 21 de abril de 2009 não poderia passar sem uma homenagem aos homens e mulheres, provenientes de todas as regiões do país, que construíram a nova capital e ao lugar que esses pioneiros escolheram para viver. Em 1957, um ano depois do lançamento oficial da Novacap, nascia o lugar que, de tão importante, acabou tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Parabéns, Vila Planalto!**

* Texto completo no site do Governo do Distrito Federal.
** Não se sabe a data exata da fundação dos acampamentos que deram origem à Vila Planalto. O aniversário, de todo modo, é de 52 anos.

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Na forca

Bota mão e pé?Eu podia estar roubando, eu podia estar matando. Mas neste dia 20 de abril, espremido entre um domingo e um feriado, estou apenas trabalhando. Em Brasília. Num órgão público. Depois de um fim de semana no Rio. “Por que você não enforca?”, foi a pergunta que ouvi, à exaustão, nos últimos dias. Responder sem soar exageradamente moralista, demagógico ou hilário, de acordo com quem ouve, é quase impossível. Então acordemos que eu simplesmente não quis. E desculpe atrapalhar o silêncio da sua viagem.

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Carros, uma paixão

Progresso sem ordemUm milhão, setenta e dois mil, quatrocentos e cinqüenta e sete. Essa numeralha corresponde aos veículos com registro no Distrito Federal em março de 2009. Um quantitativo bastante expressivo. Ou, simplesmente, carro (e moto) pra caralho! O resultado são engarrafamentos freqüentes e disputa por vagas de estacionamento em diversas áreas da cidade. Para as autoridades, contudo, isso não é problema. Em Brasília, afinal, existe uma “cultura do carro”. Ame-a ou deixe-a.

É a cultura, portanto, que torna natimortas pretensões como a melhoria do sistema de transporte público e a implementação de um esquema de rodízio. Outras sugestões, como a carona (carpool, em inglês, ou partilha de viagens, em português de Portugal) e a construção de ciclovias, são vistas com incredulidade.

O raciocínio deve estar certo. Eu mesmo não acredito.

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