Archive for outubro, 2008

Orgulho de ser candango

Dois CandangosPerto de completar 50 anos, Brasília pode finalmente se orgulhar de ser lar não só de milhares de exilados, mas também de legítimos candangos da gema. Conseqüência comum desse sentimento é o destaque dado às figuras nativas que se projetam nacional e internacionalmente. O fenômeno é mais freqüente no esporte. Quando aparece um César Castro, competidor de alto nível dos saltos ornamentais, ou uma Ketleyn Quadros, judoca medalha de bronze em Pequim, a imprensa local não cansa de repetir: atleta brasiliense faz isso, atleta brasiliense faz aquilo.

E não deixa de ser justo.

Mas como tratar, por outro lado, o caso de uma nadadora banida do esporte por doping que decide disputar a Liga Nacional de futebol feminino (um campeonato, logicamente, amador) pela Ascoop (Associação Atlética Esportiva e Recreativa dos Cooperados e Funcionários de, ufa, Cooperativas)? Página inteira nos jornais e bloco de encerramento na televisão.

Por quê?

Rebeca Gusmão, 23 anos, 97 quilos, é candanga da gema.

p.s.: A bem da verdade, também o nacional Jornal Nacional divulgou, nesta terça-feira, as novas aventuras da nadadora.

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Deu zebra

Sua zebra!Um dos ícones do transporte público de Brasília atende por zebrinha. A alcunha, até simpática, deve-se às listras que enfeitam a parte de trás do microônibus. Faria mais sentido, porém, batizar o veículo com o nome de outro animal. Lesma. Tartaruga. Anta.

Estreei no referido quadrúpede alguns dias atrás. Seguindo informação passada por um amigo (?), embarquei, confiante, na zebrinha número 24. Para cobrir o trecho inicial, de cerca de 1,5 km no Eixo Monumental, não seriam necessários mais do que dois ou três minutos numa linha reta. Mas, aparentemente, o coletivo era parte de um experimento científico. Objetivo: descobrir a maior distância entre dois pontos.

Chacoalhamos, passando de um lado ao outro do Eixo quatro vezes, durante uns 40 minutos. E ainda faltava percorrer mais da metade do caminho. Por sorte, dali em diante, seguimos trilhas menos obtusas. Passados outros 20 minutos, desci no segundo ponto de ônibus da Estrada Parque Contorno do Bosque (!).

A apenas 1,5 km de casa.

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Outro ano, outro estepe

Mão na rodaA despeito da tenra idade, Brasília ganha, aos poucos, tradições próprias. No caso dos motoristas, por exemplo, há um ritual que se repete todo ano, infalivelmente. Um ente travesso, de pés virados para trás, segundo relatos, entra em carros estacionados na ruaquadra e toma para si os objetos que lhe parecem mais interessantes. A polícia, quando acionada, registra tudo, mas alega não ter meios para deter a fantástica criatura do cerrado.

As vítimas, resignadas, conformam-se em consertar a porta e substituir os equipamentos subtraídos. Uma parte busca as lojas estabelecidas, enquanto a outra, na ânsia de “reduzir o prejuízo”, recorre aos preços imbatíveis do comércio informal. Entre a astúcia dos larápios curupiras e a malandragem deste último grupo, folcloristas e cientistas em geral ainda não conseguiram decidir o que é mais inacreditável.

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Vem pro samba você também… vem

Quem não gosta de samba...Para não perder o ritmo, pensei em escrever alguma bobice sobre o disparatado mercado imobiliário de Brasília ou sobre os preços das atrações culturais, mas resolvi parar de falar de dinheiro e prestar um serviço realmente útil. Não perca. Nei Lopes. Caixa Cultural. Sábado às 20h30. Domingo às 19h. “Samba na caixa, dinheiro no samba”. Ops.

Saco de feijão
(Chico Santana)

Meu Deus mas para que tanto dinheiro
Dinheiro só pra gastar
Que saudade tenho do tempo de outrora
Que vida que eu levo agora
Já me sinto esgotado
E cansado de penar, meu Deus
Sem haver solução
De que me serve um saco cheio de dinheiro
Pra comprar um quilo de feijão
Me diga gente
De que me serve um saco cheio de dinheiro
Pra comprar um quilo de feijão
No tempo dos “derréis” e do vintém
Se vivia muito bem, sem haver reclamação
Eu ia no armazém do seu Manoel com um tostão
Trazia um quilo de feijão
Depois que inventaram o tal cruzeiro
Eu trago um embrulhinho na mão
E deixo um saco de dinheiro
Ai, ai, meu Deus

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Drive-in

Duas horas de estacionamento, por favorHouve uma época em que as pessoas saíam de casa para “pegar um cineminha”. Aos poucos, porém, lugares como o Pátio Brasil, popular shopping da capital, imprimem uma mudança de hábito na sociedade. Bem, na motorizada, pelo menos. Um cidadão que tome a má decisão de estacionar o automóvel no referido centro comercial por duas horas e meia pagará R$ 7 (R$ 5 as duas horas iniciais e R$ 2 a adicional). Numa segunda-feira, uma meia-entrada para o cinema do shopping lhe custará R$ 4; no fim de semana, para sessões até as 15h, R$ 5. Assim, se o preço definir principal e acessório, teremos um novo slogan, com a licença do finado Severiano Ribeiro: estacionar é a maior diversão.

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